O secretário-geral do PS, António Costa, defendeu a tese de que Portugal só terá finanças sãs, conseguindo uma consolidação orçamental sustentável, se tiver primeiro um programa de recuperação da sua competitividade económica.

António Costa falava aos jornalistas no final de um encontro com o presidente dos sociais-democratas alemães (SPD) e vice-chanceler do executivo germânico, Sigmar Gabriel, no âmbito de uma conferência promovida pela Aliança Progressista sobre emprego e educação.

Com o «número dois» do Governo de Berlim ao seu lado, o secretário-geral do PS abordou logo uma das principais pretensões dos socialistas portugueses.

«Precisamos de um programa de recuperação económica e de emprego que permita fazer o que é essencial: Retomar uma trajetória de convergência com a Europa para reforçar a coesão e de um modo sustentável possibilitar a consolidação das nossas finanças públicas», sustentou o líder socialista.

António Costa defendeu depois a tese de que Portugal «não terá finanças sem ter uma economia sã e só terá uma economia sã quando recuperar a competitividade da economia», como cita a Lusa.

«E para recuperar a competitividade económica é fundamental atacar os bloqueios estruturais: Investir na educação, na inovação, na investigação científica, na melhoria das infraestruturas de energia e de comunicações, um sistema de justiça mais eficiente, uma administração pública mais simplificada e continuar uma estratégia de atração de investimento estrangeiro».

Neste contexto, o secretário-geral do PS elogiou a Alemanha por colocar algumas das suas principais empresas a investir em Portugal, gerando emprego qualificado, «o que contribui para a melhoria do perfil económico do país».

No âmbito da mesma conferência, António Costa esteve também reunido com o secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, com quem almoçou.

«Partilhamos com o PSOE um ciclo eleitoral muito intenso ao longo deste ano, visto que as eleições em Portugal são em outubro, que antecederão em um mês a vitória do PSOE em novembro de 2015. Na Península Ibérica é muito importante construirmos alternativas de Governo que traduzem o descontentamento com a governação de direita, não apenas pela via do protesto, mas também na criação de uma alternativa de Governo», declarou António Costa, numa alusão às forças políticas à esquerda dos socialistas, tanto em Portugal, como em Espanha.

No mesmo sentido, Pedro Sánchez disse esperar na Península Ibérica «uma grande mudança política» no final do próximo ano.

«Admiro a gestão que António Costa está a fazer como presidente da Câmara de Lisboa. Pessoas como nós que já fizeram política local sabem que a política tem de ser de proximidade, sem eufemismos, falando-se com clareza», disse.

Pedro Sánchez e António Costa afirmaram depois que vão trabalhar em conjunto durante o próximo ano.

«Temos um problema importante de criação de emprego e é fundamental que a social-democracia articule um discurso comum», defendeu o líder do PSOE.