Já passou por várias cidades e, em todas elas, António Costa se dirige aos pensionistas. Na polémica sobre quem quer cortar o quê e quanto, líder do PS devolve a tesoura à coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP). Este domingo, dia de arranque oficial da campanha, quis deixar claro que a promessa de não cortas e, antes, repor as pensões, é uma questão de honra.

"É preciso muito descaramento de eles que se comprometeram em Bruxelas com o corte nas pensões dizer que somos nós que queremos cortar. Que fique muito claro: nós só temos uma palavra e só temos um compromisso. É o compromisso que aqui está escrito. Com o PS não há nem haverá corte das pensões. Com o PS haverá reposição integral das pensões".

No debate com Passos Coelho, o ainda primeiro-ministro desafiou Costa a explicar o corte de mil milhões em quatro anos inscrito no programa socialista nas prestações sociais sujeitas a condições de recurso (podem ser pensões mínimas, pode ser o abono de família, por exemplo). Teve dificuldade em concretizar nesse frente-a-frente. Hoje, também não o fez, mas quis deixar a garantia da reposição total das pensões a quem sofreu cortes.


"Temos de chamar todos"


No comício de final de tarde, em Castelo Branco, foi montado num pavilhão bem grande, mas a organização não ocupou o espaço todo com cadeiras. Muitos apoiantes acabaram por ficar de pé a ouvir António Costa e os socialistas da região. 

Começou logo por apelar ao voto de todos e além-fronteira socialista. "Para que isto aconteça, são necessárias duas coisas: que a coligação de direita perca as eleições; segundo, que o Partido Socialista vença as eleições"

Recordou a visita à Feira dos Chocalhos no Fundão, em Alpedrinha. Disse que encontrou "milhares de pessoas" que lhe pediram para não perder as elições. "Eu dizia: Com o meu voto podem contar. Agora, não chega para ganhar eleições". 

Voltou a condenar a polémica sobre as sondagens: "Afinal, qual é o critério? Quem ganha eleições? Quem tem mais votos ou quem tem mais deputados?". Perguntou e respondeu:

"Se eu voltasse a ser jurista debruçar-me-ia muito sobre essa questão. A maioria das pessoas não é jurista. Poupemo-nos a discussões jurídicas, poupemo-nos a dúvidas sobre a vontade popular. Expressemo-nos de forma simples e clara: votar no PS para que o PS tenha mais votos e para que o PS tenha mais deputados"


Recordou o apoio de Basílio Horta (CDS) e de Alfredo Barroso (PCP): "Aquilo que está em causa nestas eleições é um património comum, que muita gente da esquerda à direita construiu".

"Temos de chamar todos  aqueles que não se resignam com a decadência do país, com a decadência do Estado Social, que não se resignam com a precariedade do trabalho". "Além fronteiras" socialistas, vincou. 

Saúde e educação, à semelhança do que já tinha acontecido de manhã, na Covilhã, também entraram no seu discurso. Para prometer: "Connosco não há aventuras, connosco não há brincadeiras, connosco há escola pública, Serviço Nacional de Saúde e Segurança Social", prometeu ainda.