"Nós, autarcas. Permitam-me que fale assim". António Costa estava entre os seus no almoço-comício em Paião, Figueira da Foz. Rodeado de presidentes de juntas de freguesia e de câmaras municipais, assumiu que vai desempenhar as suas funções de primeiro-ministro como um deles. E, sem surpresas, atacou Passos Coelho.

"Como já ganhou umas eleições a enganar os portugueses, deve ser pelos tracking polls [sondagens] que se vai animando e que julga que só já está a uma mentira da vitória eleitoral. Está muito enganado. Está só a 10 dias de sofrer a maior derrota eleitoral". 


Entre autarcas do distrito de Coimbra, a quem pediu um "esforço acrescido" e "suplementar" de mobilização para o voto, a estratéfia de Costa foi, partindo de exemplos a respeito, atacar as "maldades" do Governo, como a elas se referiu.

Caso do aumento de 23% do IVA na eletricidade pública e até das refeições escolares, que tiveram de "suportar" sozinhas. "Depois destes quatro anos autarquias podem dizer aos portugueses: dívida diminuiu 17% enquanto a dívida do estado aumentou 15% . Não é obra do acaso nem uma inevitabilidade". 

"Sei bem o que é ser autarca. É fazer do que falar, escutar o povo, do que fazer discursos. Deixei de ser presidente de câmara, mas não deixei de ser autarca. E serei sempre autarca como primeiro-ministro". 

Governar com consensos


O líder do PS recordou, também, que antes de ganhar duas eleições na câmara de Lisboa com maioria absoluta, venceu outras duas sem ela. "Foi possível ir construindo em diálogo, numa plataforma de convergência, primeiro com o BE, depois só com o José Sá Fernandes, quando o Bloco lhe tirou o tapete, a nossa candidata e líder do Movimento Cidadãos por Lisboa Helena Roseta", também presente no almoço, a par de António Arnaut, considerado o pai do Serviço Nacional de Saíde. 

"E não foram essas condições que me impediram de criar condições de governabilidade na câmara de Lisboa. É essa a experiência que cada presidente de junta, que cada presidente da câmara sabe e aprende: como se criam condições de governabilidade. Não foi o facto de ter duas maiorias absolutas que me retirou a vontade política, nem me dificultou fazer acordos políticos", acrescentou, dando o exemplo da reforma das freguesias, que "ao contrário" de outras zonas do país, teve consenso na capital

"Esta capacidade de criar consensos é algo que alguns políticos não têm. Eu acho que já tinha essa capacidade e aprendi (na mesma). É assim que se tem de governar para a qualidade da nossa democracia. Só assim se governa um país, em concórdia, em unidade (...) Exercerei as funções de primeiro-ministro como autarca"

Passos Coelho apelou hoje "a todos os partidos" para uma união no Parlamento pós-eleições, mas a julgar pelo discurso de Costa que se seguiu, entre PS e coligação será difícil. 


"Fazer mais com menos"


O líder do PS prometeu aos autarcas que vão poder fazer as suas próprias reformas, como em Lisboa: "Dar competências e meios a quem gere bem, é preciso resgatar a CCDR para deixarem de ser meras delegações e passarem a ser órgãos representativos da região". 

A descentralização é uma premissa base para o PS, bem como uma "administração pública eficiente, que custe menos ao cidadão, mas que preste melhores serviços", afirmou. Como? investindo no simplex, na modernização administrativa.

"É assim que poupamos dinheiro, mas não deixamos de prestar serviço aos cidadãos. Fazendo mais com menos, porque sabemos gerir melhor, com proximidade, ganhos de eficiência na descentralização".


"Boa!", gritam os autarcas presentes.