O líder do PS disse esta quinta-feira que «os portugueses infelizmente estão com os bolsos vazios», em reação às declarações da ministra das Finanças, que disse na quarta-feira que o país tem os «cofres cheios».

«Os portugueses é que infelizmente estão com os bolsos vazios. Esta ideia que o Governo tem de que os portugueses estão mal e o país está bem como se o país não fossem as pessoas é, de facto, não compreender que o centro da atividade política são mesmo as pessoas», disse António Costa aos jornalistas em Bruxelas, sundo reporta a Lusa.


A ministra de Estado e das Finanças, Maria Luís Albuquerque, afirmou na quarta-feira que o país tem os «cofres cheios» para honrar os seus compromissos na eventualidade de surgirem perturbações no funcionamento do mercado da dívida, o que permitiria ao país «estar tranquilamente durante um período prolongado sem precisar de ir ao mercado, satisfazendo todos os compromissos».

«[A dívida pública] está, de facto, ainda muito elevada (…). Mas hoje, quando olhamos para a dívida pública, está lá tudo e está também o conforto de saber que, para além disso, temos cofres cheios para poder dizer tranquilamente que se alguma coisa acontecer à nossa volta que perturbe o funcionamento do mercado, nós podemos estar tranquilamente durante um período prolongado sem precisar de ir ao mercado, satisfazendo todos os nossos compromissos», garantiu Maria Luís Albuquerque.

Em Pombal, distrito de Leiria, na sessão de encerramento das jornadas da JSD «Portugal nas tuas mãos», a governante afiançou que esta situação permite o pagamento de salários, de pensões ou fazer os reembolsos da dívida, «mantendo tudo a funcionar sem perturbação».

Para António Costa, as declarações da responsável pela pasta das Finanças sobre os «cofres cheios» do Estado demonstram mais uma vez que «este Governo vive num mundo fora da realidade” e considerou exemplo disso mesmo o programa VEM - Valorização do Empreendedorismo Emigrante, apresentado recentemente.

«Só isso explica que o Governo tenha apresentado com pompa e circunstância um programa dirigido aos 300 mil emigrantes que saíram do país que se traduz em apoiar 40 ou 50 que queiram regressar», considerou.


O líder socialista reforçou, assim, a acusação de «irrealidade» em que o Executivo vive, considerando que confunde pessoas e economia com estatísticas.

«A economia é a riqueza produzida, são empresas, são empregos, são pessoas que têm ou não trabalho. A realidade das pessoas é a sua vida, não são as fantasias da senhora ministra das Finanças», concluiu.

O secretário-geral do PS considerou ainda que, apesar de o Governo grego estar a ser «desajeitado» nas negociações com os parceiros europeus, é importante que a União Europeia se una e encontre uma solução para o caso grego.