O primeiro-ministro, António Costa, afirmou esta terça-feira que "o Presidente da República não manda recados ao Governo pelos jornais”. O chefe do Governo foi questionado sobre as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, que disse, numa entrevista à Rádio Renascença e ao jornal Público, que não se recandidatava caso a tragédia dos incêndios se repetisse.

António Costa disse que não olha para as palavras de Marcelo como uma resposta às suas próprias declarações -  o primeiro-ministro admitiu numa entrevista à Visão que não se demitia caso o drama dos incêndios voltasse a abalar o país.

A relação entre o Governo e o Presidente da República desenvolve-se num diálogo normal e todas as matérias que o Governo tem de transmitir ao Presidente da República eu faço-o diariamente ou pelo menos semanalmente. E o inverso também é verdadeiro, o Presidente da República não manda recados ao Governo pelos jornais, dialoga diretamente com o Governo porque como é normal num país que funciona civilizadamente os órgãos de soberania relacionam-se com toda a normalidade."

"O senhor Presidente da República já disse que é um cenário que nem sequer se põe. O que temos de fazer é trabalhar para que nenhuma tragédia dessas volte a ocorrer", acrescentou.

O primeiro-ministro também foi questionado sobre a demissão do Comandante Operacional Nacional da Proteção Civil, António Paixão. Costa rejeitou a ideia de um cenário de caos na Proteção Civil e garantiu que os processos decorrem para que “tudo esteja pronto a tempo e horas”.

“Não há caos nenhum, os processos estão e boa tramitação no Tribunal de Contas para que tudo esteja pronto a tempo e horas.”

Costa notou ainda que o novo Comandante Operacional, o coronel Duarte Costa, foi bem recebido quer pelos bombeiros como pelos partidos da oposição.

Falando aos jornalistas em Porto Salvo, concelho de Oeiras, após ter presidido à sessão de apresentação do novo simulador de pensões da Segurança Social, o chefe do Governo sublinhou, porém, que é importante que esta substituição na Proteção Civil “se faça rapidamente” até porque ”está previsto já para dia 19 um exercício nacional envolvendo os diferentes agentes da Proteção Civil”. 

"É importante que esta substituição se faça rapidamente visto que como sabemos está previsto já para dia 19 um exercício nacional envolvendo os diferentes agentes da Proteção Civil. Mas vejo com satisfação que o novo comandante foi particularmente bem recebido pelo presidente da Liga dos Bombeiros mas também pelos próprios partidos da oposição."