Se ontem o Bambi pulou a cerca, no episódio desta quinta-feira da campanha do PS o lobo mau foi o protagonista. Já se adivinha: o Governo. Foi Álvaro Beleza quem se lembrou da história infantil para classificar o discurso do atual Executivo como o "lobo que comeu a avozinha muito doce, mas que diz que correu tudo muito bem".
 
Amigo de António José Seguro há 30 anos, Álvaro Beleza juntou-se a Costa, por mais “estranho” que possa parecer, admitiu. Fê-lo porque “nenhum socialista que se orgulhe deste nome pode ficar em casa”. Fê-lo “como cidadão, como médico que vai fazer 30 anos no SNS com muita honra", e como pai, porque quer “uma mudança para melhor” para os seus filhos. Não foi o único. Em Paião, Figueira da Foz, dois outros seguristas também tiveram honras de discurso para apoiar Costa: José Luís Carneiro e Manuel Machado.
 
Costa pegou na deixa do médico Beleza sobre as filas de espera para exames médicos para dizer que o atual Governo teve um “profundo desprezo” pelas pessoas. E, ainda para mais, a “dupla Passos e Portas” andou “sempre a mentir e a enganar”.

Outra vez o défice e o Novo Banco: "A verdade é como o azeite num copo de água e vem sempre ao de cima. Depois de o INE os ter desmascarado ontem, hoje veio a Unidade Técnica de Apoio Orçamental dizer que ainda mais grave do que aconteceu ao défice de 2014 é que a execução orçamental deste ano já põe claramente em risco o cumprimento das metas deste ano”, citou.
 

“Porque eles nos primeiros seis meses deste ano já gastaram 80% do que podiam gastar, como se fosse possível gastarmos 80% nos primeiros 15 dias do mês e viver com o resto no resto do mês”

 
Apesar de estar cada vez mais rouco, o secretário-geral do PS foi carregando na ironia e no tom de voz: "O objetivo do défice era o santo e a senha de salvação do país, agora [a subida] do défice afinal é só um pequeno problema contabilístico sem importância nenhuma".
 
Costa acusou o governo de “incompetência nas finanças públicas”, mas acentuou que “pior” do que isso é a “falta de respeito” para com os portugueses, questionando para que serviu a austeridade.
 

"Se não conseguiram cumprir objetivos do défice e da dívida então porque é que cortaram a pensão? Podemos fazer esta pergunta 'n' vezes para as taxas moderadoras, educação, ciência. Porquê? Porquê, se não conseguiram?"

Quando disseram que queriam ir além da troika, não era só porque queriam cortar as pensões. Iam continuar a política da troika, mesmo depois de o relógio de Paulo Portas ter chegado a zero e a troika finalmente partir. As políticas da troika só acabam quando este Governo acabar".


Apesar do rombo que o Novo Banco pode causar, e os testes de stress em novembro poderão trazer novas surpresas já com um novo Governo em funções, o líder do PS volta a dizer que o seu partido foi "responsável e conservador” na elaboração do programa eleitoral, com previsões menos otimistas do que as do Governo.

"Não termos de mudar uma vírgula naquilo que temos de fazer". 

 
A cabeça de lista pelo distrito de Leiria, Margarida Marques, introduziu o tema da Europa tendo como alvo Passos Coelho. “Bom aluno é diferente de ser mandão. Bom aluno trabalha, é criativo, encontra soluções diferentes para os problemas. Passos Coelho foi seguidista, marrão e seguiu as teses mais ultraliberais da Europa”. 

A caravana também passou por Mira, Paião e Coimbra, sem capa e batina, mas com muitas tiradas ao Governo. Se Álvaro Beleza pediu a Portugal para "acordar", porque é uma "necessidade épica" mandar embora o Governo, António Costa também concluiu o seu discurso na mesma onda:"Rua! Basta!".