Emanuel Fernando Cantarelo diz que é primo da Ivete Sangalo. Não interessa para o caso, mas fez questão de se apresentar assim. Na arruada do PS em Mirandela, pouco concorrida, andava ele a distribuir autocolantes... do Bloco de Esquerda. 

Não gosta de Passos. Construiu um dito popular para se referir ao primeiro-ministro e líder da coligação Portugal à Frente. "O coelho escapou para o monte e morreu na floresta". Ganhou em 2011, mas deixou o país num estado tal para Emanuel, que é preciso votar noutros "para não apertar mais o cinto".

Este homem também não vai na "alternativa de confiança" que Costa propõe. Os copos que bebeu ao almoço deixaram-no mais efusivo no discurso. Quiçá até mais sincero, como diz o povo.

"Agora pega-lhe este. Dizem que anda para aí a fazer promessas. Quero ver. Eu sei de onde é que veio esse senhor. Veio da câmara de Lisboa. Já não tinha tacho garantido? É preciso apertar com eles, se ele entrar". 


E o Bloco? De autocolante ao peito, parecia ser um militante. Também não. A descrença não o demoveu de ajudar a passar a mensagem:
 
 Emanuel acabou depois por ter os seus minutos de fama nas televisões. Foi pediu um autógrafo a Costa. Ele deu, sem se aperceber do autocolante no peito. Houve ainda tempo para um conselho deste homem do Interior Norte do país: "Não prometa muito sem ver  o que está lá na panela". 
 
Passo apressado na arruada do cozinheiro dos tachos, panelas e copos, que contou com menos de uma centena de pessoas. Havia outra para fazer, em Chaves, mais composta. As mulheres competiam por beijos de Costa. 
 
A militante mais antiga do PS estava igualmente desejosa pelo cumprimento do seu secretário-geral. É Dona Aninhas, conhecida por todos na terra. 82 anos e um banco para se sentar, mas quis aguardar de pé, com um carro a fazer de encosto. 

 
Uma vida de amor ao PS. Até foi apanhada pela PIDE, no tempo da ditadura de Salazar. "Mas não virei". 

A comitiva da caravana socialista foi chamar Costa para a cumprimentar, antes de terminar a arruada com buzinadelas de quem queria ir para casa e tinha a rua cortada, já o sol começava a cair. "Devem ser os mamões", irritava-se uma das senhoras socialistas dos beijos. 

Dona Aninhas também teve direito. Dez segundos de cumprimentos e troca de palavras. Pouco tempo para tanta espera, mas estava feliz. E diz que ele também: "Ficou todo contente. Ele escreveu uma carta a dizer 'conto com os socialistas de Vila Real". Ela não falhou.