A FRASE - «A maioria absoluta é necessária, mas não suficiente»



Do congresso do PS, sai um desejo: maioria absoluta nas próximas legislativas. O novo presidente do partido, Carlos César, foi o primeiro a dizê-lo. Depois, foi Manuel Alegre a insistir nesta mensagem.

No entanto, e apesar de também ter pedido a maioria absoluta no discurso de encerramento, António Costa admite alargar a sua ambição a outros acordos e outros partidos.

«A maioria absoluta é uma condição necessária para uma boa ação governativa, mas não é suficiente. Precisamos de compromissos sólidos e duradouros, precisamos de uma maioria plural e aberta, que dinamize o diálogo social, a concertação, a negociação coletiva e também os compromissos políticos. Não há maioria que nos possa privar de dinamizar esse diálogo».

 
No caso de a maioria absoluta não ser alcançada, Costa não quer coligações, porque considera que as «divergências» e «medidas contraditórias» que poderiam surgir nesse cenário trariam mais «instabilidade» política.

Por isso, o líder socialista chama ao diálogo todos os partidos, sem excluir PCP e BE, mas admitindo que dificilmente estas forças sairão do «protesto». À direita, também pouco, ou nada, e não adianta mudar os «nomes» à frente de PSD ou CDS, porque «é uma questão de políticas». Para António Costa, sobra o Livre, os movimentos e os parceiros sociais.
 

O MOMENTO - a saída de Francisco Assis



Prometia ser um congresso sem «casos», graças à «ordem» para não se falar em José Sócrates, mas Francisco Assis acabou por protagonizar o maior incidente do fim de semana.

O eurodeputado tinha-se inscrito para falar, mas não terá recebido a informação de quando poderia intervir. Por isso, ao final da tarde de sábado, foi-se embora. O seu nome nunca foi chamado para as intervenções que se prolongaram até depois da meia-noite e, por «motivos pessoais», também não compareceu à sessão de encerramento deste domingo.

Assis não terá gostado de algumas intervenções, que sugeriam um caminho mais aberto à esquerda, quando o próprio defendeu recentemente que o PSD seria o parceiro mais próximo dos socialistas. E, assim, terá decidido  afastar-se dos órgãos nacionais do partido.

A aparente unidade dos socialistas foi quebrada por este momento e novamente abalada pelas listas divulgadas no domingo, que afastaram os «seguristas» do Secretariado Nacional, integrando, no entanto, alguns «socráticos».

Álvaro Beleza, responsável por assegurar a quota de «seguristas» na Comissão Nacional, admitiu «alguns problemas», mas não quis ir mais além nas críticas: «Estou triste por Francisco Assis não ter ficado nos órgãos».
 

A FIGURA - o candidato às presidenciais




Durante a campanha para as eleições primárias, António Costa assumiu que desejava que António Guterres fosse o próximo candidato às presidenciais apoiado pelo PS. No entanto, durante o congresso deste fim de semana, o nome do atual Comissário para os Refugiados não foi mencionado, o que pode indicar que não estará disponível para concorrer, até pelas suas ambições na ONU.

Por outro lado, Francisco Assis introduziu o nome de Jaime Gama já este sábado, uma ideia que não terá sido bem acolhida no partido. Ana Gomes disse mesmo que esta candidatura não iria favorecer uma «separação entre política e negócios», recordando o cargo de Jaime Gama no BES Açores.

Ao convidar o independente Sampaio da Nóvoa para discursar no congresso, Costa convocou mais um nome para a corrida. O ex-reitor da Universidade de Lisboa mostrou-se «disponível para todos os projetos que contribuam para mudar Portugal», não afastando uma candidatura à Presidência da República. Os elogios que deixou ao secretário-geral do PS provam a aproximação de Sampaio da Nóvoa.

No discurso de encerramento, António Costa voltou a abrir a porta a um apoio a um candidato fora dos quadros do partido:

«Estamos totalmente disponíveis e empenhados em contribuir para eleição de um Presidente que, saindo das fileiras do PS ou da área política do PS, tenha aquelas qualidades, como o respeito pela Constituição, a representação da dignidade do Estado, a promoção internacional do país e a unidade do país».


A IMAGEM - o regresso dos históricos



Estiveram ao seu lado na campanha interna e voltaram a estar neste congresso. Mário Soares, Almeida Santos, Jorge Sampaio, Manuel Alegre, Edmundo Pedro e António Arnaut não faltaram à consagração de António Costa e deram mais força ao novo secretário-geral do partido, menos de um ano antes das próximas legislativas.

Todos pareceram alinhados com o discurso de Costa e só Alegre falou perante o congresso, apelando a que seja mantida a «autonomia estratégica do PS», ou seja, separando os socialistas da direita. 

A maior ovação foi mesmo para Soares, que ultrapassou o batalhão de jornalistas com um esforço físico notório, só para endereçar algumas palavras de apoio: «António Costa falou muito bem. Foi perfeito. Falou no que devia falar». Sobre o congresso, disse apenas: «Tem corrido lindamente».

O também ex-Presidente da República Jorge Sampaio sublinhou que este «é um momento único» para o partido e que «há muito trabalho pela frente».

Já Arnault foi mais longe, apelando a uma maior «renovação» e «mais energia para combater a direita».