Um novo vídeo de António Costa na mesma cerimónia onde o secretário-geral do PS afirmou, perante a comunidade chinesa, que Portugal estava melhor agora do que há quatro anos foi divulgado esta sexta-feira.

Neste novo registo, Costa sublinha a importância do investimento chinês e destaca a forma como esta comunidade tem contribuído para a economia portuguesa e para a estabilidade do país.

«Muitos não acreditaram e a China felizmente acreditou e foi uma ajuda muito importante para que o país possa ter reencontrado um caminho de estabilidade e confiança no seu futuro.»

 
As declarações surgem depois de um vídeo partilhado pelo deputado do CDS Nuno Melo, no Facebook, na mesma cerimónia, no Casino da Póvoa de Varzim, ter gerado alguma polémica. 

Tudo porque o secretário-geral do PS faz um discurso que mereceu elogios rasgados da direita, que terão causado grande embaraço aos socialistas. Costa admitiu que Portugal venceu a crise e que hoje até está «bastante diferente» do que há quatro anos, ou seja, quando o primeiro-ministro socialista, José Sócrates, pediu ajuda externa.

O primeiro-ministro recusou comentar diretamente as declarações do líder socialista, mas deixou o recado nas entrelinhas, defendendo que «qualquer observador independente» e fora «da disputa político-partidária» reconhece um «progresso assinalável» no país nos últimos quatro anos.
 

«Qualquer observador independente não pode deixar de reconhecer que foi realizado um progresso assinalável nestes anos, é preciso também, e qualquer observador independente o dirá, prosseguir esse caminho, de modo a que a nossa situação, acumulada durante muitos anos, possa ser combatida de uma forma ainda mais eficaz».


Mas se Passos não se referiu diretamente a Costa, o mesmo não o fez o vice-primeiro-ministro Paulo Portas. Durante a visita à Feira Internacional de Turismo, em Lisboa, e aproveitando a divulgação das estatísticas do INE esta sexta-feira, que revelaram uma redução da taxa do desemprego para 13,3%, Portas deu razão ao «Dr. António Costa».

«Às vezes pelo menos o que o Dr. António Costa diz é razoável, nós estamos de facto a conseguir dar a volta como país, a conseguir vencer uma crise que foi muito difícil por causa do resgate», disse Paulo Portas, após uma visita à Feira Internacional de Turismo, que decorre em Lisboa.»


Aplausos do executivo que terão envergonhado os socialistas. 

Alfredo Barroso, um dos fundadores PS, não gostou do que ouviu e decidiu mesmo que ia pedir a desfiliação do partido. O militante número 15 do partido afirmou que  se tratou de um «tiro de canhão no coração do PS» que foi «imediatamente aproveitado pela direita portuguesa» e que humilhou os socialistas.

«António nunca devia ter dado este passo por uma questão de coerência e dignidade, e por respeito pelas centenas de milhares de desempregados e pelos milhões de portugueses no limiar da pobreza, vítimas da brutal política de austeridade.»


Uma desfiliação que Costa, de resto, já lamentou. O secretário-geral socialista afirmou ainda que ficou perplexo com as reações ao seu discurso, defendendo que no exercício de funções institucionais junto de investidores estrangeiros tem de transmitir-se uma mensagem de confiança.