O secretário-geral do PS, António Costa, voltou a criticar o Governo e o governador do Banco de Portugal por causa do processo relacionado com a extinção do BES e a criação do Novo Banco, acusando-os de “desleixo”, esta quarta-feira.

Respondendo a questões dos jornalistas sobre o Novo Banco e o impacto que poderá ter nas contas públicas o adiamento da venda da instituição bancária, António Costa começou por dizer que mantém “a regra” que definiu de enquanto decorrerem negociações, “não dizer nada” que as possa perturbar.

No entanto, acrescentou que “as dificuldades” que estão a surgir e “as preocupações que hoje cada vez mais pessoas têm só demonstram bem a ligeireza com que o Governo e o governador do Banco de Portugal [Carlos Costa] vieram a correr no verão passado assegurar que tinham uma solução mágica que não teria qualquer tipo de custo para o sistema financeiro e qualquer tipo de custo para o contribuinte”.

“Já vimos como foram precipitadas essas declarações e eu não os quero imitar, não serei precipitado e aguardemos”, acrescentou, dizendo que é preciso aguardar pelo desfecho do processo para então o avaliar.

“Como portugueses, aquilo que temos todos de desejar é que as negociações corram o melhor possível e que o resultado seja o melhor possível para a proteção do nosso sistema financeiro e para a proteção dos contribuintes.”


António Costa, que falava na Ribeira Grande, nos Açores, reiterou ainda aquilo que já havia dito na terça-feira, ao considerar “muito grave” que Governo e governador do Banco de Portugal tenham “querido iludir os contribuintes dos riscos” da decisão que tomaram.

“Já bastava terem iludido o mercado, terem iludido os investidores convencendo-os de que valia a pena investirem numa instituição que era segura quando estávamos a poucas semanas do colapso dessa instituição. Basta de imprudências, basta de ligeirezas, e é preciso que rapidamente esta situação se esclareça e depois façamos então a avaliação.”