O primeiro-ministro chegou, esta sexta-feira, a Monchique, com o ministro adjunto Pedro Siza Vieira, para fazer um primeiro balanço dos prejuízos depois do incêndio que destruiu milhares de hectares durante a última semana.

Em declarações aos jornalistas, à chegada a Monchique e antes de se reunir com autarcas dos concelhos afetados pelo incêndio, que começou nesse concelho algarvio e alastrou depois a Silves e, em menor proporção, a Portimão, António Costa reconheceu que pode ter havido excessos das autoridades a evacuar zonas afetadas pelo incêndio, mas reiterou a importância de o fogo ter sido dominado sem vítimas mortais.

Pode ter havido aqui ou ali algum exagero, poderá ter havido, se houver haverá com certeza meios para atuar, mas agora, globalmente, aquilo que é absolutamente essencial sublinhar é que, perante a gravidade do incêndio – e em que todos os jornalistas estiveram aqui a testemunhar e através de vós todos os portugueses puderam ver, com ‘n’ aldeias, povoações e casas ameaçadas – não ter havido perdas de qualquer vidas humanas é um bem que é absolutamente essencial".

O primeiro-ministro insistiu que a "prioridade das prioridades obviamente é a salvaguarda de um bem irreparável e inestimável que é a vida humana" e considerou que o facto de se ter "garantido que ninguém tenha morrido é absolutamente extraordinário e um resultado positivo".

Questionado se o uso do termo “sucesso” pode ser empregado nesta situação de incêndio, quando arderam mais de 25.000 hectares e houve povoações ameaçadas e casas de primeira habitação destruídas, António Costa disse não querer “utilizar adjetivos” e afirmou que “na altura própria os balanços se farão e tudo será apurado no devido tempo”.

Veja também:

“Houve uma primeira fase que era essencial, que era conter e dominar o incêndio, agora assegurar que não há novos reacendimentos e não temos novos episódios nesta zona que já está devidamente dominada, e a prioridade é reconstruir, é isso que estamos a fazer”, acrescentou, referindo-se à reunião com os autarcas e outras entidades do Algarve para iniciar o balanço e começar a delinear a resposta que o Governo irá disponibilizar às autarquias e zonas afetadas.

António Costa destacou o trabalho da GNR, considerando que “desempenhou uma missão que lhe estava confiada” e que era “muito delicada e difícil” e mostrou-se compreensivo com quem quis defender as suas propriedades, mas insistiu na necessidade de priorizar as vidas humanas.

Todos nós, se tivermos fogo na nossa casa, naturalmente o primeiro apego que temos é mantermo-nos onde estamos e proteger aquilo que temos a proteger. Agora, há uma coisa segura, é que uma casa é sempre reparável, com seguro ou sem seguro, uma vida humana é irreparável. E a primeira missão que nós temos é salvar as vidas humanas e essa foi uma missão desempenhada”, acrescentou.

Sobre os mecanismos de apoio que vão ser definidos, o chefe de Governo disse que já existem vários que “estão estruturados”, tanto de “âmbito agrícola” como de “âmbito da habitação, quer outros que venham a ser necessários”, mas frisou que “antes de saber os apoios” que vão ser dados em concreto “é necessário fazer o balanço objetivo dos danos e em função disso definir o plano de ação”.

“Vamos agora reunir com os presidentes de Câmara, também com o presidente da RTA [Região de Turismo do Algarve], fazer em primeiro lugar um ponto situação sobre quais são os danos que já se podem identificar e ver qual é a reposta que temos que dar, primeiro de emergência e depois estrutural para o conjunto desta região”, afirmou ainda António Costa.

Grandes fogos de 2017 e Monchique "não são comparáveis"

O primeiro-ministro considerou também esta sexta-feira que não faz “o menor sentido qualquer tipo de comparação” entre os grandes incêndios do ano passado e o fogo de Monchique, que lavra desde sexta-feira e foi hoje dominado.

Numa conferência de imprensa na Câmara de Monchique após a reunião com autarcas afetados pelo incêndio e entidades da região do Algarve, António Costa foi questionado pelos jornalistas sobre se tinham sido retiradas lições do incêndio de Pedrógão do ano passado, no qual morreram 66 pessoas.

É incomparável a situação que vivemos aqui com a situação que vivemos o ano passado e nem faz o menor sentido qualquer tipo de comparação”, respondeu.

Questionado sobre a existência de 41 feridos, um dos quais em estado grave, o primeiro-ministro foi perentório: “o que seria estranho é que num incêndio desta dimensão não houvesse feridos a lamentar”.

“Desse ponto de vista, o que todos temos a registar de positivo é que felizmente não houve nenhuma situação de perda de vida e haver um único ferido grave”, insistiu.

António Costa voltou a ser confrontado com as suas declarações de quarta-feira sobre a operação de combate aos incêndios, que aliás motivaram um comunicado do gabinete do primeiro-ministro a dizer que estas tinham sido “descontextualizadas e deturpadas".

O primeiro-ministro avisou na terça-feira que o incêndio de Monchique iria continuar a lavrar nos próximos dias, considerando que esta exceção no país “confirmou a regra do sucesso da operação ao longo de todos estes dias”.

Hoje, António Costa reiterou que, num balanço de 600 ocorrências, só ocorreram 26 grandes incêndios, tendo este fogo de Monchique sido “excecional”, o que, na opinião do chefe do executivo, “foi acentuar a gravidade do que aqui ocorreu” porque “ser excecional sublinha a gravidade”.

O fogo no Algarveo maior registado na Europa este ano, foi dado como controlado esta sexta-feira pela Proteção Civil. O dispositivo mantém-se no terreno para a fase de rescaldo.