O secretário-geral do PS, António Costa, advertiu esta quarta-feira que o Governo que sair das próximas eleições não pode ficar dependente da vontade do Presidente da República, nem de jogos partidários, defendendo o caráter soberano do voto popular.

António Costa falava no Fórum Lisboa, numa sessão política com militantes e simpatizantes, num discurso em que classificou como decisivo este mês de abril em termos de mobilização para as eleições legislativas de setembro ou outubro.

«Não podemos deixar nem aos jogos partidários, nem à vontade do Presidente da República a escolha do novo Governo. No país de Abril quem vota e quem escolhe os governos é o povo - e vai ser o povo a escolher o próximo Governo», declarou o líder socialista, recebendo uma prolongada salva de palmas.

Num discurso com cerca de 40 minutos, António Costa defendeu a tese de que o atual Governo «fracassou» em todos os seus objetivos e que instituições nacionais como o INE (Instituto Nacional de Estatística), ou instituições internacionais como o FMI, OCDE e Parlamento Europeu dão razão ao PS «e desmentem a fantasia do primeiro-ministro», Pedro Passos Coelho.

Segundo Costa, todas as instituições atrás mencionadas dão razão ao PS em matérias tão diversas como a defensa do Serviço Nacional de Saúde (SNS), investimento público como fator de crescimento económico ou importância das apostas na educação e na formação de adultos para a qualificação da mão-de-obra.

«Definitivamente, nem o setor da restauração, nem as famílias portuguesas fazem parte da lista VIP. Não têm direito a tratamento decente por parte do Ministério das Finanças», disse, numa nota de humor, depois de criticar o executivo por se opor sistematicamente à descida do IVA da restauração e à existência de uma cláusula de salvaguarda ao nível do Importo Municipal sobre Imóveis.

«O Governo não tem emenda», considerou, depois de ter atacado alegadas «obsessões ideológicas» do executivo liderado por Passos Coelho.

Além de criticar a maioria PSD/CDS, António Costa também se demarcou da restante oposição de esquerda, sobretudo ao nível da política europeia.

«Temos uma orientação estratégica e uma agenda europeia, porque sabemos bem que aquilo que é necessário fazer não se faz unilateralmente, não se faz saindo da União Europeia, não se faz saindo do euro, nem em conflito com os nossos parceiros, mas faz-se construindo a aliança necessária com os nossos parceiros para defendermos o interesse nacional. A alternativa não está nem na rutura com a Europa, nem na submissão aos interesses dos outros», sustentou o líder socialista.

Para António Costa, o caminho e a alternativa dos socialistas passa pela «defesa do interesse nacional no quadro da Europa».

«Porque é na Europa que queremos estar, mas como Portugal e como portugueses. Por isso, não ficaremos à espera das eleições para depois nos confrontarmos na Europa com a demagogia das promessas, nem tiramos fotografias com o ministro das Finanças alemão [Wolfgang Schauble] como um exemplo da boa execução do seu programa europeu», disse, em mais uma nota de demarcação quer face ao executivo de Passos Coelho, quer em relação ao Governo grego do Syriza.

No ano em que Portugal se prepara para celebrar os 30 anos de adesão à Comunidade Económica Europeia (CE), o objetivo, de acordo com o secretário-geral do PS, «é dar um novo impulso para a convergência de Portugal com a União Europeia».