O secretário-geral do PS, António Costa, afirmou este sábado, em Tróia, que o investimento estrangeiro em Portugal não se pode limitar à mobilização de capital para comprar empresas em privatização, nem à troca de vistos gold pela compra de imobiliário.

«O investimento direto estrangeiro não é só trocar vistos gold pela compra de imobiliário, o que está a penalizar os ativos da banca. O investimento direto estrangeiro não é só a mobilização de capital para vir comprar as empresas que estão em privatização, sem criar novos empregos, e, pelo contrário, pondo em causa os empregos que já existem», disse.

«Atrair investimento direito estrangeiro é atrair novas empresas, que criem novos postos de trabalho, e sobretudo novos postos de trabalho qualificados, porque nós não temos licenciados a mais, o que nós temos é postos de trabalho de qualidade a menos para os licenciados que temos produzido», defendeu.

Para António Costa, que falava no XIX Congresso da JS, em Tróia, concelho de Grândola, no distrito de Setúbal, o país precisa de uma nova politica ativa de emprego, centrada no desemprego jovem.

«A política ativa de emprego não pode ser simplesmente andar a multiplicar estágios, a multiplicar experiências, a multiplicar aquilo que - como diz Pedro Abrunhosa - é a `geração currículo», disse

«Os currículos são fundamentais, mas só são úteis, só rendem ao país, se se transformarem em emprego, em postos de trabalho de qualidade que contribuam para gerar riqueza para o país», disse, defendendo que é necessário apoiar empresas dos setores mais expostos à competição e as empresas de bens transacionáveis, ajudando-as a melhorar a produtividade e a integrarem jovens qualificados nos seus quadros.

                          

Costa critica novo modelo de IRS que prejudica os que «ganham menos»

O secretário-geral do PS acusou, também, o Governo de ter aprovado um novo modelo de IRS, que discrimina os mais ricos em desfavor daqueles que menos têm.

«O debate em torno do coeficiente familiar, que nos quiseram apresentar como uma ideia simpática para as famílias pagarem menos impostos, diz, no fundo, tudo sobre a ideia que direita tem, de como é que os impostos devem servir para que aqueles que ganham mais paguem menos, e aqueles que ganham menos paguem mais», disse.

«E só isso explica que a direita tenha chumbado a proposta do PS, para aumentar aquilo que cada família pode deduzir em função dos filhos que tem, mas não em função dos rendimentos que tem», acrescentou.

O dirigente socialista disse, ainda, que o objetivo da direita era mesmo conseguir que uma criança de uma família mais abastada permita deduzir mais do que uma criança de uma família menos abastada.

O líder socialista afirmou ainda que o novo IRS também vai prejudicar as crianças de famílias monoparentais.