O secretário-geral do PS, António Costa, considerou este domingo que o Governo está com um «enorme embaraço» perante os sinais de alteração da política europeia, resultantes do anúncio de compra de dívida pública por parte do Banco Central Europeu (BCE).

«O Governo está com um enorme embaraço perante os sinais de alteração da política europeia porque o atual Governo não só não deseja essa mudança como, pelo contrário procura contrariar essa mudança», afirmou o líder do PS quando confrontado com as críticas feitas pelo líder do CDS-PP à «leitura apressada» que Costa teria feito sobre a decisão do BCE de comprar dívida pública.

Para o secretário-geral do PS, «muitos destes sinais são ainda insuficientes mas têm uma enorme vantagem, eles estão na direção certa» e, por isso, o que há a fazer é «o contrário daquilo que o Governo tem feito».

«Eu percebo o enorme embaraço de um Governo cujo primeiro-ministro repetidas vezes se opôs à aquisição de dívida por parte do BCE, a um Governo que repetidas vezes se opôs ao aumento de investimento como estratégia de crescimento, a um Governo que se opôs a uma leitura inteligente e flexível das regras do tratado orçamental como essencial para termos uma nova política», salientou.

E, por causa «destes sinais», António Costa disse que percebe que «o Governo esteja neste momento incomodado com esta nova política europeia».

«Isso só significa que nós precisamos de facto de ter um Governo com uma outra orientação, que não só não se incomode com esta política mas ajude a dar força a esta mudança, ajuda a dar força a essa política e é por isso que o PS se bate», sublinhou.

Durante uma visita à Feira do Fumeiro de Montalegre, no distrito de Vila Real, o líder socialista aproveitou para destacar este certame como «em excelente exemplo do grande esforço» que tem que ser feito para valorizar o território, considerando que o «fumeiro pode ser um fator de enriquecimento do território».

«O bom trabalho que estas autarquias estão a fazer é o bom exemplo de que se dermos mais poder às autarquias, mais poder às regiões, nós temos mais força para valorizar o nosso território», frisou.

Costa foi o último convidado a passar por este certame, depois do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e da presidente da Assembleia da Republica, Assunção Esteves.

Neste concelho de câmara socialista, o secretário-geral do PS foi recebido por centenas de pessoas.

A Feira do Fumeiro e do Presunto teve à venda 70 toneladas destes produtos e representa um volume de negócio na ordem dos três milhões de euros.