O secretário-geral do PS, António Costa, disse esta quarta-feira a emigrantes no Luxemburgo que gostava de "festejar sempre o 10 de Junho junto das comunidades portuguesas como primeiro-ministro".

"Se tudo correr bem nas próximas [eleições] legislativas, pedirei ao Presidente da República que o governo seja representado por outro membro nas comemorações do Dia de Camões e das Comunidades, porque gostaria muito de como primeiro-ministro festejar sempre o 10 de Junho junto das comunidades portuguesas, estejam elas onde estiverem", disse António Costa, no Luxemburgo, durante um jantar.


O líder do PS passou hoje o dia com emigrantes portugueses no Luxemburgo, tendo marcado presença num jantar com simpatizantes na sede da associação do Rancho Folclórico Províncias de Portugal, depois de ter participado numa receção oficial na residência do embaixador de Portugal naquele país.

Falando às cerca de 80 pessoas que participaram no jantar, em Esch-sur-Alzette, no sul do país, o secretário-geral do PS incentivou também os emigrantes portugueses a exercerem os seus direitos políticos e a participarem nas eleições, "tanto nos países de residência, como em Portugal".

"É importante que se inscrevam para exercerem os direitos que podem exercer, tanto nas autárquicas, nos países onde vivem, como no Consulado, para as eleições para a Presidência da República", apelou, defendendo que os emigrantes "têm de participar mais na vida política dos países onde estão" e "na vida política em Portugal".


António Costa elogiou ainda o "contributo extraordinário das comunidades portuguesas" para a economia do país, a valorização da língua e a promoção da "imagem do país no estrangeiro", defendendo que Portugal "tem de ter uma legislação que tenha em conta não só os 10 milhões de portugueses que vivem em Portugal, como os restantes cinco milhões".

Encorajando os emigrantes portugueses a adotarem também a nacionalidade dos países onde vivem, o secretário-geral do PS prometeu eliminar na "próxima legislatura" o que afirmou ser uma "restrição absurda que ainda consta na lei eleitoral", que impede "um cidadão português que tem dupla nacionalidade de ser candidato" no país onde vive, podendo apenas fazê-lo em Portugal.

"Um luso-americano pode concorrer pelo círculo da Europa, mas vá-se lá saber por que é que iria fazê-lo", exemplificou.

"O que eu não percebo é por que é que um luso-luxemburguês, um luso-francês, um luso-alemão ou um luso-belga não hão de poder concorrer a deputados no país onde vivem", criticou, defendendo que seriam "excelentes representante da sua comunidade".


António Costa destacou ainda a importância económica dos emigrantes, "não só pelas remessas", como pela capacidade de investimento em Portugal.

"São um veículo de investimento estrangeiro para Portugal e um extraordinário canal de exportação e distribuição dos produtos portugueses", elogiou.


O secretário-geral do PS defendeu também que Portugal tem "um ativo enorme, que é a língua", falada "não só pelos cinco milhões de portugueses, mas por 300 milhões em todo o mundo", pelo que o Governo tem de "ter como prioridade o ensino do Português no estrangeiro", sustentou.

António Costa disse ainda que a crise e "as políticas" do atual Governo provocaram um "novo ciclo de emigração", lamentando "a angústia de muitas famílias que emigraram nos anos 60, e que com grande esforço conseguiram que os seus filhos fossem estudar para Portugal" na esperança de poderem regressar ao país depois da reforma, e que agora vêm esse projeto posto em causa.

"Um dos portugueses com quem falei hoje disse-me: 'agora que me estou a reformar e que esperava voltar para Portugal, o que estou a ver é que são [os meus filhos] que vão ter de voltar para o Luxemburgo'", criticou.