António Costa admite que tem uma "identidade significativa" com a ex-líder do PSD, Manuela Ferreira Leite. Em entrevista ao jornal Sol, o candidato a primeiro-ministro vai mais longe e não descarta a inclusão da social-democrata num futuro governo socialista.
 
Questionado sobre a possibilidade de Pacheco Pereira e Manuela Ferreira Leite, duas vozes muito críticas da coligação PSD/CDS-PP, integrarem os nomes de um futuro executivo PS, António Costa exclui de imediato o ex-deputado.  
 

 “Não vou estar aqui a especular com nomes que, ainda por cima, estão filiados noutros partidos. Mas digo-lhe que Pacheco Pereira, pela sua própria natureza, nunca estaria em nenhum Governo que ele não pudesse derrubar no momento a seguir. Serei sempre mais moderado do que Pacheco Pereira”, disse.

 
Já sobre a ex-ministra das Finanças de Durão Barroso, o líder do PS foi mais moderado, admitindo mesmo uma identidade com Manuela Ferreira Leite.
 

“Do ponto vista programático, há uma identidade significativa” com Manuela Ferreira Leite. 


Apesar dos pontos de vista comuns com a social-democrata, António Costa não coloca a possibilidade de formar um governo de Bloco Central, a não ser que aconteça uma “invasão de marcianos”.
 
O secretário-geral dos socialistas exclui completamente um Bloco Central a não ser que, diz em tom de brincadeira, haja uma “invasão de marcianos”. Aliança com o PSD, só “numa situação absolutamente extrema”, garante.  
 

Passos quer "desvalorizar" a Caixa para a privatizar


Na mesma entrevista, António Costa, defende também que a única explicação para o "inqualificável ataque” do primeiro-ministro à Caixa Geral de Depósitos passa pelo objetivo de desvalorizar o banco do Estado para o privatizar e não tem dúvidas que Pedro Passos Coelho é "uma pessoa intransigente e com quem é impossível acordar qualquer entendimento".

O líder socialista revelou ainda que António Sampaio da Nóvoa o consultou antes de avançar com a candidatura presidencial, certificando-se de que António Guterres, Jaime Gama e António Vitorino não seriam candidatos.
 

Relativamente às privatizações, para António Costa, "a ideia de que a fúria privatizadora do governo está esgotada não é verdade, a direita não esgotou o seu arsenal de maldades" e "tem mais austeridade para apresentar".


Questionado sobre se Passos Coelho pode avançar para a privatização da Caixa Geral de Depósitos, António Costa respondeu que "a única explicação racional para o inqualificável ataque do primeiro-ministro à Caixa é desvalorizá-la para a seguir a privatizar".
 

"Foi assim que fizeram com a TAP, foi assim que fizeram com a Cimpor, foi aquilo que fizeram com tudo o que venderam mal vendido", acrescentou, reafirmando ainda sobre a TAP que deseja que a companhia se mantenha nacional e neste momento "não há nenhuma venda, apenas uma promessa de venda sujeita ainda à condição de várias autorizações".