Os jornalistas Miguel Marujo e Octávio Lousada Oliveira, do “Diário de Notícias” (DN), escreveram uma biografia não autorizada do secretário-geral do Partido Socialista (PS). Um “olhar de fora” de quem ouviu relatos de episódios em que António Costa demonstrou algum mau feitio, mas também a quem apontam uma “enorme lealdade”.
 
Um dos aspetos abordados no livro é a amizade entre José Sócrates e António Costa, que não será tão profunda como muitos imaginam. “Há de facto um companheirismo longo de quem faz parte do mesmo partido, de quem fez parte de Governos ao mesmo tempo, mas basta olhar para aquele período imediatamente a seguir à saída de José Sócrates da liderança do PS e de primeiro-ministro: os relatos de encontros entre Sócrates e os amigos, não incluíam António Costa”, recorda Miguel Marujo, no “Política Mesmo” da TVI24.
 

“Há uma relação de amizade, mas não é uma proximidade muito forte.”

 
Habituados a tratar os assuntos da política nacional, os dois jornalistas reconhecem que o caso judicial em que está envolvido José Sócrates condiciona os cenários no Largo do Rato. “José Sócrates é obviamente um ‘elefante na sala’ que condiciona todas as ações e até os timings judiciais condicionam todo o comportamento de António Costa e até a dinâmica do PS”, analisa Octávio Lousada Oliveira.
 
 
“António Costa: Os Meios e os Fins do Líder Socialista” não contou com declarações do visado, apesar das tentativas dos jornalistas. Também não contou com “qualquer bênção da parte do Largo do Rato”. “Obviamente que falámos com muitas pessoas, muitos socialistas. Mas, em Portugal, confunde-se muitas vezes aquilo que são biografias com livros encomendados e nós quisemos marcar essa diferença”, explica Miguel Marujo.
 
O livro dá, a determinada altura, conta de um político com mau feitio, que “se irrita” com facilidade, “que passa por cima dos ouros e ofende”. “Não é um retrato bonito, mas é um conjunto de características que nos foi apontado por várias pessoas que trabalharam diretamente com António Costa nos Governos de que ele fez parte. É de facto uma pessoa que não tem qualquer pejo em passar por cima daqueles que consigo trabalham. É uma pessoa que grita. Que ofende, em última instância. Mas todas as pessoas que ouvimos sublinham que é uma pessoa muito leal, que dá muita autonomia e deposita muita confiança naqueles com quem trabalha”, sublinha Octávio Lousada Oliveira
 

“Há nomes que permanecem ao lado de António Costa ao longo do seu percurso político. Apesar do feitio difícil que muitas pessoas nos sublinharam, há pessoas que acabam por saber lidar com esse feitio de António costa e estar ao lado dele ao longo deste tempo”, acrescenta Miguel Marujo.