O secretário-geral do PS procurou esta sexta-feira introduzir um cenário de bipolarização na escolha das próximas eleições, sustentando que a opção de fundo é entre a austeridade da coligação PSD/CDS ou a mudança de paradigma com os socialistas.

António Costa falava no centro de Aveiro, a última etapa da sua jornada ferroviária antes de chegar ao Porto de comboio, depois de ter partido ao início da manhã da Gare do Oriente, em Lisboa, tendo em seguida feito paragens no Entroncamento, Pombal e Coimbra.

Tal como antes fizera o cabeça de lista do PS por Aveiro, Pedro Nuno Santos, dizendo que no dia 4 de outubro são as vidas e os empregos das pessoas que estão em causa, também António Costa tentou dramatizar a escolha das próximas eleições.

"O que está em causa é saber se podemos ter mais e melhor emprego, emprego digno, emprego com futuro e com qualidade, que faça uma mudança face áquilo que tem sido a economia do país nestes últimos quatro anos, ou se queremos continuar com a austeridade, desde logo com mais um corte de 600 milhões de euros nas pensões."


Mas António Costa foi mais longe nesta lógica de bipolarização: "Quem quer mais cortes nas pensões e mais austeridade tem a direita para votar, mas quem quer menos austeridade, mais investimento e melhor emprego tem o PS para votar".

De acordo com António Costa, nas eleições está também em causa a opção por um modelo de baixos salários e de precariedade para alcançar metas de competitividade, "tal como a direita quer, ou aquilo em que o PS acredita".

"Acreditamos que a competitividade se consegue com investimento na qualificação, evitando que a juventude continue a ser empurrada para a emigração. Acreditamos numa Segurança Social pública e numa escola pública com igualdade de oportunidades. Mas o que a direita quer é privatizar as receitas da Segurança Social, desmembrar o Serviço Nacional de Saúde e financiar novas turmas nos colégios privados."


Este tipo de discurso de tentar colar a coligação PSD/CDS a conceções puramente neoliberais já antes tinha sido feito por Pedro Nuno Santos, além de cabeça de lista também é presidente da Federação de Aveiro do PS.

"Se eles [PSD/CDS] ficassem lá [no Governo] mais quatro anos, nada restaria no país de educação, saúde e Segurança Social pública", alegou Pedro Nuno Santos.

Logo à chegada à Estação de Aveiro, proveniente de Coimbra, o secretário-geral do PS teve uma receção ruidosa por parte de algumas dezenas de membros da Juventude Socialista.

Depois, de forma original, acompanhado pelos deputados Pedro Nuno Santos, Filipe Neto Brandão e pelo dirigente Porfírio Silva, deslocou-se de bicicleta até ao centro de Aveiro, onde entrou numa pastelaria para provar ovos moles