Uma mão tem cinco dedos e, ao sexto dia oficial de campanha, o PS quer cumprimentar a outra com mais vigor. Renovam-se os apelos de António Costa e dos seus apoiantes para o voto além fronteira socialista, desta vez num almoço-comício em Loures. Até porque, dizem, o disparo do défice por causa do Novo Banco é mais um argumento para correr com o Governo. 

“Disto tudo o que é que se podem perguntar os portugueses: que sentido teve o aumento dos impostos, o aumento das taxas moderadoras, o corte de salários? Para termos uma dívida maior e um défice igual? À primeira qualquer um cai, mas à segunda só cai quem quer".


Como o banco fez o défice disparar para 7,2% em 2014 (4,7% no primeiro semestre de 2015) e a meta do Governo é chegar aos 2,7%, saindo do procedimento por défices excessivos, o líder socialista entende – e adverte os portugueses – que a austeridade de nada serviu.

“O desrespeito para com os cidadãos só merece uma resposta: é pô-lo na rua!"


O líder do PS considera que “tão ou mais grave” do que a gestão do dossiê do Novo Banco, é a “falta de pudor” com o que o Governo se justifica. Hoje foi, de resto, a segunda vez que António Costa aludiu à célebre frase de Jorge Sampaio, citando-a ipsis verbis: "Há mais vida para além do orçamento”. 


"Eles têm as sondagens, nós temos a força"


O democrata-cristão Basílio Horta, presidente da câmara de Sintra, esteve com Costa no almoço-comício. Discursou, pediu o voto de quem é de direita no PS, porque é preciso escolher entre "a austeridade sem rigor ou rigor sem austeridade". E foi aclamado:

"Queria muito pedir-vos isto. Todos aqueles que savem que o governo vai continuar o mal que fez (...) O PS tem de ser ponto de união, de unidade, de todos os democratas-cristãos, de todos os socialistas, que querem um país vivo", começou por dizer. 

Basílio Horta pediu ainda aos portugueses para que "não percam um minuto com isso das sondagens diárias que andam para aí". "Eles têm as sondagens, nós temos a força". Uma garra que, para o autarca, ainda não chega:

"Queria pedir-lhe um favor, doutor António Costa: que todos nós juntos percebamos, que vamos fazer uma grande mobilização com todos. Mostrar que o PS é o presente e o futuro a bem de Portugal e dos portugueses". 


A seguir, António Costa defendeu que "o que está em causa não é só defender parte do património do Estado Social e o que separava uma direira da esquerda". "O  que está em causa é uma fronteira muito mais grave de fronteira do Estado Social, de um lado isolada direita radical, e uma esquerda, também inspirada na democracia cristã e no humanismo". 

Os "radicais do seu próprio campo político", como os apelidou, estão de fora. O apelo é para quem seja "capaz de promover o diálogo social" e fazer "pontes de convergência".  Como disse Basílio Horta, "estabilidade não é só ter paz nas ruas, estabilidade é ter paz nas consciências". 


"É só exercício de cosmética"


A exemplo do autarca, também o professor e economista Mário Centeno, que entrou a política como coordenador do cenário macroeconómico do PS, discursou no almoço, e atirou em direção a Passos Coelho e Paulo Portas:

"Fez exercício de cosmética, um exercício puramente eleitoralista"ao anunciar hoje, pela oitava vez, a devolução da sobretaxa de IRS. O governo faz [isso] porque tem para ele um custo zero, porque eles não vão ganhar as eleições no dia 4 de outubro". 

Sem papas na língua nas acusações ao Governo.