António Costa não vai ceder às exigências dos enfermeiros. O primeiro-ministro disse, esta sexta-feira, que não há qualquer hipótese de dar aumentos de 400 euros a estes profissionais e descreveu os protestos feitos até agora como violentos.

Em entrevista à TSF, o chefe do Executivo disse ainda assim acreditar que um acordo entre o Governo e os sindicatos está para breve, de acordo com as indicações que recebeu do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses é o único que tem postura dialogante (...) Há pontos sobre os quais já chegámos a acordo, há pontos em que estamos em vias de chegar a acordo e tenho otimismo de que seja possível. A indicação que tenho por parte do ministro da saúde é que estamos muito próximo de chegar a acordo", adiantou.

António Costa mostrou-se confiante num acordo, mas lembrou que não é possível dar tudo a toda a gente ao mesmo tempo.

Ninguém pode ter a ilusão de que tudo é possível e já (...) Sobretudo não nos podem imputar como tendo assumido compromissos que de todo não assumimos. Quando nos vêm propor um aumento salarial de 400 euros, nunca assumimos esse compromisso.", defendeu, referindo-se à reivindicação do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses e do Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem.

Na entrevista transmitida esta sexta-feira, António Costa falou sobre a onda de greves e protestos que tem envolvido o setor da enfermagem.

Com toda a franqueza tenho dificuldade em compreender a violência deste protesto tendo em conta o quadro de negociação que está previsto”, sublinhou.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) reúne-se esta sexta-feira de novo com o secretário de Estado da Saúde, em mais uma ronda negocial e com a greve marcada para a próxima semana como pano de fundo. O SEP decidiu manter a paralisação apesar do compromisso da tutela de avaliar contrapropostas apresentadas.

O Sindicato Independente dos Enfermeiros exige a revisão da carreira até ao final do primeiro semestre de 2018, a reposição das horas de trabalho aos fins de semana, feriados e à noite, a partir de janeiro e a extensão das 35 horas semanais de trabalho a todos os enfermeiros antes de julho. Os enfermeiros especialistas em saúde materna lutam ainda contra a falta de pagamento na especialidade, não aceitando o subsídio transitório proposto pelo Governo.