O PSD na Câmara de Lisboa acusou o ex-presidente da autarquia e candidato socialista a primeiro-ministro, António Costa, de mentir sobre a redução da dívida do município em 40%, falando antes numa redução de 25%.

"Com a apresentação das contas de 2014 da Câmara de Lisboa fica demonstrado que a afirmação de que António Costa reduziu a dívida do município em 40% não corresponde à verdade", disse o social-democrata António Prôa, numa nota enviada à agência Lusa.

O autarca referiu que, após uma análise das contas do ano passado, percebeu que «o total da dívida passa de cerca de 965 milhões de euros para cerca de 723 milhões de euros», entre 2007 e 2014, havendo uma «redução de 25%».
 

"Se considerarmos a redução devida pelo acordo sobre os terrenos do aeroporto (269 milhões de euros), então a dívida teria aumentado".


O vereador do PSD aludia a uma declaração feita por António Costa, no final de fevereiro passado.

"Eu reduzi a dívida que herdei em 40%, o senhor primeiro-ministro aumentou em 18% a dívida que herdou. Esta é a diferença entre nós e esta é a diferença de quem gere bem e de quem gere mal", afirmou, na altura, o candidato do PS às eleições legislativas.

Em declarações à Lusa, António Prôa disse que é «claramente mentira» que António Costa tenha reduzido a dívida da câmara em 40%, acrescentando que o socialista também não diminuiu a dívida a fornecedores, como foi divulgado pelo município.

Na conferência de imprensa hoje de apresentação das contas de 2014, o agora presidente da autarquia, Fernando Medina, divulgou que a Câmara de Lisboa terminou o ano passado com um passivo de 1.195,6 milhões euros, inferior em 224,5 milhões de euros aos 1.420,1 milhões registados no final de 2013.

Na ocasião, em que apenas foi distribuído um resumo das contas aos jornalistas, Fernando Medina assinalou também o «mínimo histórico de dívida a fornecedores», que passou de 57 dias em dezembro de 2013 para quatro dias em dezembro de 2014, o correspondente a 5,9 milhões de euros.

Visão diferente tem o vereador do PSD António Prôa:
 

"O que António Costa fez não foi pagar aos fornecedores, mas renegociar a dívida, aumentando a rubrica de outros credores. Tinha feito isso entre 2007 e 2008, o que mereceu severas reservas por parte do Tribunal de Contas, voltou a insistir em 2012 e este ano [2014] insistiu novamente".


Para a redução do passivo, hoje divulgada, contribuíram receitas dos impostos e das taxas, que geraram proveitos de mais 55,9 milhões de euros em relação a 2013 (mais 18,7%). As receitas do Imposto Municipal sobre a Transmissão Onerosa de Imóveis (IMT) tiveram um acréscimo de 51 milhões, enquanto as do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) subiram 7,6 milhões.
 

"Foi também construída uma narrativa da diminuição estrutural da receita do município, que serviu para António Costa ter aumentado as taxas".