António Costa defende que "não é possível exercer cargos públicos sob suspeição". Por isso, se algum membro do seu futuro Governo - isto se ganhar as próximas legislativas - for suspeito de corrupção, será demitido. Será, se existirem "dúvidas fundadas", explica, em entrevista ao jornal "Público". 

"Sempre que houver uma dúvida fundada por parte do Ministério Público relativamente à prática de qualquer ilícito por parte de um membro do Governo, isso implica necessariamente a cessação de funções por parte desse membro do Governo. Mas sublinho: dúvidas fundadas"


À pergunta sobre o que quer dizer com esse fundamento, o secretário-geral do PS diz que confia no que o procurador-geral da República argumentar sobre o caso para, aí sim, tomar uma decisão.

São cenários hipotéticos, mas irremediavelmente relacionados com o caso Sócrates. Precisamente a pergunta seguinte. Essa e outras quatro, às quais recusou responder.

Não quis comentar nem a prisão domiciliária, nem as implicações que o caso tem para o PS, nem o momento da acusação - a acontecer, e se chocar com a campanha eleitoral -, nem as coincidências temporais da detenção no aeroporto de Lisboa, quando acontecia o Congresso do PS, e o anúncio da decisão da pulseira eletrónica quando o partido do ex-primeiro-ministro apresentava o programa eleitoral.

"Não me ouviram até agora pronunciar-me sobre isso e a única coisa que me ouviram dizer e continuarão a ouvir dizer, mesmo que repitam agora numa quinta forma diversa a mesma pergunta, é que não me pronunciarei sobre casos que estão sob alçada da Justiça, designadamente este"


Assessorias privadas no Estado são para acabar


Pela isenção, imparcialidade e independência, António Costa defende que o Estado não deve recorrer ao outsourcing em questões tão importantes como as obras públicas.

"Um motorista, teoricamente, não tem de ser um funcionário do Estado. Mas os técnicos que apreciam o contrato de uma concessão de uma autoestrada, aí, isso tem todas as vantagens que não estejam momentaneamente a trabalhar para o Estado [e sim sempre]. Por mais sérios que sejam é uma questão de princípio". Por isso, promete na mesma entrevista, as assessorias privadas são para acabar, se vier a ser primeiro-ministro.

 


Cenário macroeconómico é guia, podem ser feitas opções


"O que propomos é uma política alterbatuica que foi avaliada, testada, ensaiada e os técnicos dizem: dá resultado. Pode dizer que pode haver imprevistos? Claro. Mas governar é estar aos comandos". "E fazer oções: claro. equilibrar as medidas", admite António Costa. 

Faz notar, ainda, que existe uma ideia errada de que a direita gere bem e a esquerda gere mal. Mas tem resposta pronta para isso: "Peço meças a qualquer membro do Governo que tenha alguma vez gerido melhor os dinheiros públicos do que eu".


Outros temas

​Empregorecusa, no que toca aos jovens, "continuar a subsidiar a precariedade". Quer criar condições para que haja uma "contratação massiva de jovens licenciados" paras empresas, sobretudo industriais e exportadoras. Embora não diga exatamente como. Quanto a outras camadas de desempregados, a aposta na reabilitação urbana não é só para melhorar condições de vida, mas também para criar emprego, por exemplo. 


Europa: espera ter a oportunidade de de as eleições em Portugal e em Espanha permitirem deixar de ter no Conselho Europeu "dois contravapores" para passar a ter "dois aceleradores".

Ministro do Mar: com um "função transversal", que abarque o mar, a modernização administrativa e o desenvolvimento e ordenamento regional.