O líder do PS disse esta quinta-feira, em Bruxelas, que o partido não fecha portas ao diálogo com PSD e CDS, mas observou que a “coligação de direita” não está a fazer o mesmo esforço que as forças da esquerda.

António Costa reiterou que a coligação PSD/CDS não compreendeu o significado dos resultados eleitorais.

“Há forças políticas que têm percebido que é preciso trabalhar para construir soluções de governo estável, e há outras, como o PSD e o CDS, que infelizmente, até agora, ainda não demonstraram ter compreendido o que é que significa os resultados eleitorais, e não têm feito os esforços suficientes para poderem contribuir para uma solução que crie estabilidade”, declarou António Costa, à chegada a uma reunião dos Socialistas Europeus.


António Costa sublinhou que “esse esforço tem existido à esquerda, mas infelizmente não tem existido por parte da coligação de direita, e isso limita muito as soluções de governo que podemos ter no país”.

“Como é manifesto, a coligação de direita tem tido muitas dificuldades em adaptar-se ao novo quadro parlamentar e ainda não compreendeu que houve uma mudança muito significativa em Portugal: a maioria deixou de ser maioria, e não pode pretender governar como se nada tivesse acontecido”, acrescentou.

Um dia depois de o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, ter admitido a possibilidade de não voltar a reunir-se com o PS para encontrar uma solução de Governo, afirmando que não governará com o programa do PS nem está disposto a sujeitar o país a uma espécie de chantagem política, em que quem perdeu impõe condições a quem ganhou, António Costa insistiu que a coligação ainda não entendeu que “mudou o quadro político em Portugal”.

“Por alguma razão [PSD e CDS-PP] tiveram o segundo pior resultado eleitoral de sempre, por alguma razão perderam a maioria, e por alguma razão há um novo quadro parlamentar que dá outras maiorias”, sustentou.


Salientando que não tem visto “da parte do PSD e do CDS idêntico esforço” àquele que tem sido mostrado por PCP e Bloco de Esquerda, Costa apontou que, “pelo contrário”, tem observado junto dos partidos da coligação uma “tentativa de que as coisas continuem a decorrer como se nada tivesse acontecido”.

Relativamente à sua presença na reunião dos Socialistas Europeus, que antecede uma cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia, o secretário-geral do PS indicou que terá “oportunidade de transmitir aquilo que é a situação hoje em Portugal, depois de a maioria ter perdido a maioria nas últimas eleições”.

“O que é importante obviamente é assegurar a todos e que um governo com o PS será sempre um governo fiel àquilo que é a tradição histórica do PS, aquilo que são os nossos compromissos internacionais, designadamente no quadro da União Europeia, e que são essenciais para o desenvolvimento de Portugal”, declarou.

O secretário-geral do PS disse, ainda, que não comenta declarações de figuras do partido que, “não estando a acompanhar as negociações, desconhecem o que está a ser tratado” e não percebeu a mudança que se verificou à esquerda.

Questionado sobre críticas de figuras do partido, como Francisco Assis, a uma aliança do PS com os partidos à sua esquerda, António Costa começou por lembrar que o mandato que a comissão política nacional lhe conferiu “é muito claro” e foi “expresso de forma inequívoca, com 67 votos a favor e 4 contra”.

“Acho que os balanços se devem fazer no final das negociações e não vou sobretudo fazer comentários sobre quem, não estando a acompanhar as negociações, desconhece o que é que está a ser tratado, e fala muitas vezes como não tendo percecionado que já há uma mudança muito importante”, disse.


Sublinhando novamente a importância de “ter sido possível derrubar um muro de 40 anos” que “criava incomunicabilidade e a impossibilidade de diálogo construtivo na esquerda portuguesa”, o líder do PS sustentou que “hoje, felizmente, a esquerda portuguesa está em condições de oferecer soluções de governo e soluções de estabilidade como não tinha até agora”.

Segundo Costa, mais importante que aquilo que consta do programa de cada partido, “o que é essencial saber é o que cada partido considera essencial que conste de um programa de governo comum”.

“E eu acho que a grande novidade foi, por exemplo, o Partido Comunista [Português] ter dito que uma coisa é o que consta do programa do seu partido, onde naturalmente há uma abissal diferença relativamente ao que consta do programa do PS, e aquilo que são, não obstante essas divergências, aquelas matérias que, face à realidade do país, podem ser concretizadas na próxima legislatura, e é aí que devemos centrar os nossos esforços, não naquilo que nos divide, mas aquilo que nos une”, salientou.