O candidato socialista a primeiro-ministro defendeu quinta-feira que a devolução dos cortes nos salários dos funcionários públicos deve ser «integral e tão rápida quanto possível, senão imediata» e que a Constituição tem de ser cumprida.

Na «Quadratura do Círculo», programa da SIC Notícias, na quinta-feira à noite, António Costa acentuou que «a Constituição tem de ser cumprida» e que não é «um suponhamos», em referência à afirmação do primeiro-ministro na quinta-feira, no parlamento, de que irá «apresentar propostas sucessivamente» para repor 20 por cento por ano os salários da função pública.

«É evidente que o cumprimento das obrigações constitucionais não é fácil, porque a consolidação orçamental não foi feita e as gorduras ou não existiam ou não foram eliminadas», afirmou o dirigente socialista, considerando, contudo, que «é um exercício que tem de ser feito porque é o que decorre da decisão do Tribunal Constitucional».

«Acho muito difícil ter uma leitura que não seja essa», referiu António Costa, acrescentando «o TC balizou bem os termos» do acórdão sobre esta matéria.

António Costa referiu que as afirmações do primeiro-ministro «são graves, porque ainda há 15 dias tinha anunciado um momento de viragem, que tinha acabado o fanatismo orçamental».

Em resposta a Pacheco Pereira, que criticou o PS de «oposição frouxa», António Costa afirmou que o partido «está numa transição».

«É natural que nesta transição, a presidente do PS, Maria de Belém, se sinta retraída e que o dirigente que foi eleito também se sinta retraído», salientou.