O secretário-geral do PS, António Costa, afirmou hoje que o debate parlamentar não serve para um partido amuar, questionando por que serviu alguém votar no PSD quando este partido não deu contributos para a melhoria do Orçamento do Estado.

“Este Orçamento do Estado que aprovámos esta semana foi um Orçamento histórico para as regiões autónomas dos Açores e da Madeira, quer pela proposta originária do Governo, quer pelas propostas que quase todos os grupos parlamentares na Assembleia da República - menos um - apresentaram e que permitiram melhorar a proposta que o Governo tinha apresentado”, começou por dizer António Costa, no congresso regional do PS/Açores, que terminou hoje na Lagoa, Açores.

Para António Costa, “é para isto que serve um debate sobre o Orçamento do Estado”.

“Agora, para o que não serve seguramente o debate parlamentar é para um partido amuar e dizer ‘eu neste jogo não participo, porque ou estou no Governo ou estou contra tudo aquilo que venha aqui a ser debatido nesta Assembleia da República”, disse o também primeiro-ministro.

Segundo António Costa, “os portugueses hoje sabem bem para o que é que serviu o seu voto no PS, no Bloco de Esquerda, no PCP, no Partido Ecologista Os Verdes, no Partido dos Animais e até no CDS-PP”, porque todos estes partidos “participaram ativamente na construção” do orçamento.

“A pergunta que todos nos fazemos é para que é que serviu alguém votar no PSD quando o PSD nem propõe, nem substitui, nem dá nenhum contributo para a melhoria do Orçamento do Estado”, destacou António Costa.

No discurso, no qual elogiou a governação socialista nos Açores nos últimos 20 anos, primeiro sob a liderança de Carlos César e agora de Vasco Cordeiro, o secretário-geral referiu que o PS/Açores “tem sabido demonstrar como é possível conciliar autonomia regional com responsabilidade financeira, como é possível conciliar um orçamento equilibrado e uma dívida reduzida com crescimento económico e aumento da proteção social”.

“Todos os dias nos procuramos inspirar neste exemplo de governação”, realçou o secretário-geral.

António Costa declarou-se convicto de que com a “liderança renovada e fortalecida do Vasco Cordeiro, o PS/Açores saberá apresentar-se às próximas eleições regionais de outubro para dar continuidade a este grande trabalho” e para “continuar a proporcionar aos Açores finanças públicas sãs, crescimento económico forte e cada vez menor pobreza e maior justiça social”.

À saída do congresso, António Costa escusou-se a comentar as palavras do líder da oposição, o social-democrata Pedro Passos Coelho, que hoje, em Valpaços, distrito de Vila Real, defendeu ser necessário um “esclarecimento tão transparente quanto possível” sobre a alegada interferência direta do primeiro-ministro nos negócios entre a empresária angolana Isabel dos Santos e o setor bancário.

O parlamento aprovou na quarta-feira o Orçamento do Estado para 2016 proposto pelo Governo PS, com os votos favoráveis do PS, BE, PCP e PEV, a abstenção do PAN e os votos contra do PSD e do CDS-PP.