Já não é a primeira vez que António Costa se refere à era socialista de José Sócrates, mas esta quarta-feira fê-lo não da forma subtil e quase sem querer de antes, mas com mais vigor. No almoço-comício em Abrantes, não se deixou enrolar pelo apetite e pronunciou a palavra "diferença" pelo menos três vezes, explicando porque é que o seu programa "merece confiança". 

"Não só porque tem contas feitas, mas porque que aprende com os que nós aprendemos, e beneficia também do posicionamento politico do PS", começou por dizer, atestando que as condições económicas hoje são diferentes das de 2011 e que "seria absurdo" apresentar "como a direita faz um programa igual".

Daí, partiu para pôr o jogo não ao meio campo, mas cada equipa - socialista, leia-se - no seu lugar:

"Não temos programa igual ao de 2011, com o relançamento da economia assente em grandes obras públicas, assente em grande investimento público, com aumento da despesa pública. Temos um programa assente em dois vetores fundamentais: a recuperação rendimentos das familias e assente no investimento das empresas. Esta diferença faz toda a diferença, porque é pôr não o Estado a puxar pela economia, mas a Economia a puxar pelo saneamento das finanças públicas do Estado". 


Nas comparações, Costa não esqueceu o seu alvo fundamental, a direita. Acusou a coligação de "confundir" a redução da sobretaxa do IRS com a construção do TGV. E "grande descaramento" ainda para "confundir" a reposição do complemento solidário para idosos com um novo aeroporto.

Costa personalizou ainda o ataque ao líder do CDS e vice-primeiro-ministro: "Não recebemos lições de ninguém, muito menos de Paulo Portas que começou a carreira contra o euro" e só mudou para integrar o governo, atirou.
 
A três dias das eleições, o secretário-geral socialista reforçou o sublinhado de que o seu partido é "o referencial de estabilidade" que o país precisa. Batendo-se pela maioria absoluta, e na fase do ou vai ou racha, Costa admite outro cenário, mas sempre uma maioria e uma abertura ao diálogo social. 

"Se tivermos maioria absoluta, não sacrificaremos em nome da maioria esforço para concertação social e dialogo político alargado. Infelizmente se não tivermos maioria asboluta somos os únicos capazes de conjunto com forças políticas e sociais e assegurar condições de governabilidade"


Novo pedido de empenho para convencer os indecisos e quem pretende abster-se: "Temos bem a consciência que muitos portugueses sofreram muito estes anos e que sofreram tanto, tanto, tanto e se interrogam se vale sequer a pena sair de casa para ir votar, mas há uma coisa que temos de dizer a cada um deles: ficando em casa não resolvem nada. Ficando em casa não escolhem, ficando em casa não decidem e dão a escolha aos outros.

"A pior coisa que pode acontecer é na segunda-feira de manha acordarem e dizerem: ai se eu soubesse, ai se seu soubesse teria lá ido. E, desta vez, o disparate só tem emenda daqui a quatro anos. A decisão é para ser tomada agora".