O secretário-geral do PS afirmou esta sexta-feira que um dia se perceberá porque é que "esta legislatura tem sido devidamente esticada para que este Governo, à última da hora, possa fazer tudo aquilo que em desespero está a procurar fazer".

António Costa falava aos jornalistas à margem da visita ao Centro Tecnológico do Calçado de São João da Madeira, tendo sido questionado pelos jornalistas sobre a situação da TAP e o facto da venda da transportadora aérea se poder concretizar ainda nesta legislatura. " Por ventura alguém um dia perceberá porque é que esta legislatura tem sido devidamente esticada para que este Governo, à última da hora, possa fazer tudo aquilo que em desespero está a procurar fazer", disse.

O Governo PSD/CDS-PP tomou posse a 21 de junho de 2011 - na sequência de legislativas antecipadas - e manter-se-á em funções até a posse do executivo que sair das próximas eleições, que se deverão realizar em outubro, totalizando mais de quatro anos de legislatura.

Para o líder socialista, "tudo o que se passa com a TAP desde o princípio é mau", acusando o Governo liderado por Passos Coelho por "à última da hora" ter acordado "mal" para um problema".

"O próximo Governo do PS tudo fará que esteja ao seu alcance e que ainda seja possível fazer para assegurar que a TAP não tenha a maioria do capital privatizado", garantiu, considerando que a TAP "é a empresa estratégica fundamental para garantir a soberania nacional".

António Costa insistiu na ideia de que "é um enorme risco se o Governo privatizar mais do que 50% do capital da TAP", considerando que esta opção do executivo "é errada".

Sobre o facto de Pedro Passos Coelho ter colocado em causa, quarta-feira à noite, no aniversário do PSD, a credibilidade do plano macroeconómico do PS, o líder socialista foi perentório: "ele não conhece o plano".

"O Dr. Pedro Passos Coelho fazia bem em ler os documentos do PS em vez de ler as autobiografias que se escreve a seu respeito", afirmou apenas, perante a insistência dos jornalistas.


António Costa foi ainda questionado sobre a promessa feita quarta-feira de que iria mexer nos escalões do IRS para diminuir a carga fiscal sobre o trabalho caso vença as legislativas deste ano, explicando que se trata de uma "correção estruturada dos escalões do IRS de forma a aumentar a sua progressividade e de forma a assegurar uma regra fundamental da justiça fiscal: quem tem maior capacidade pagará mais, quem tem menor capacidade pagará menos".

"Não quero assumir neste momento nenhum compromisso relativamente a essa matéria [para quantos escalões passará] porque só trabalhando por dentro com a máquina fiscal é possível ter um acertado desenho de escalões", disse apenas..