A greve dos estivadores do Porto de Lisboa foi um dos temas quentes do debate quinzenal esta sexta-feira. Questionado por Pedro Passos Coelho, o primeiro-ministro garantiu, no Parlamento, que "tudo tem um limite"  e que o limite para que as partes se possam entender é "mesmo o dia de hoje". A este propósito, António Costa justificou a ausência da ministra do Mar no debate, informando que Ana Paula Vitorino está reunida com os sindicatos e a administração do Porto de Lisboa esta manhã. 

"Tudo tem um limite e o limite é mesmo o dia de hoje para que as partes se possam entender."

António Costa aproveitou a questão para lembrar o líder da oposição que nos últimos três anos e meio, sob a governação do PSD e do CDS, houve 441 dias de greve efetivos e que, na altura, o então chefe do Governo afirmou que este era "um conflito entre privados onde o Estado não se tinha de meter".

"Nos últimos três anos e meio houve 36 pré-avisos de greve e 441 dias de greve efetivos, houve mais de um ano e meio de greve consecutiva  e o senhor deputado disse que era um conflito entre privados onde o Estado não se tinha de meter."

Farpas que deixou ao líder da oposição para, de imediato, assinalar a posição do Executivo socialista sobre esta matéria:"Nós entendemos que é um conflito grave para a economia e, como disse ontem, hoje o Governo estará totalmente empenhado em encontrar uma solução, o que justifica a ausência da Ministra do Mar esta manhã."

Depois de Passos Coelho, também Assunção Cristas questionou o primeiro-ministro sobre a greve dos estivadores. Costa lembrou que a líder do CDS teve a pasta do Mar no Governo de direita e, a este propósito, afirmou que os limites do Executivo socialista "para a indiferença" serão "inferiores" aos da antiga ministra.

 "Os nossos limites para a indiferença perante o problema serão inferiores aos seus que enquanto ministra do Mar conviveu com 400 dias de greve consecutiva." 

O Bloco de Esquerda, por Catarina Martins, também abordou esta matéria, acusando a direita de ter encetado uma estratégia para contratar trabalhadores temporários, "para alugar trabalhadores, numa típica praça da jorna do século XIX".

"Há quem tenha culpas, quem esteja a ganhar. Os operadores dos portos querem baixar", acrescentou.

 

Na resposta, António Costa voltou a reiterar a ideia de que deverá ser encontrada uma solução ainda hoje: "Tenho confiança que hoje será encontrada uma solução para ultrapassar esta situação".

Recorde-se que os operadores do Porto de Lisboa anunciaram na segunda-feira a intenção de avançar com um despedimento coletivo por redução da atividade, depois de ter sido recusada uma proposta de acordo de paz social. A greve dos estivadores é a todo o trabalho suplementar em qualquer navio ou terminal, recusando trabalhar além do turno, aos fins de semana e feriados.

A paralisação tem sido prolongada através de sucessivos pré-avisos devido à falta de entendimento entre estivadores e operadores portuários sobre o novo contrato coletivo de trabalho. De acordo com o último pré-aviso, a greve vai prolongar-se até 16 de junho.