O secretário-geral do PS reúne-se na quinta-feira primeiro com o seu novo Grupo Parlamentar e depois com a Comissão Política Nacional, onde apresentará os resultados do processo negocial ainda em curso para a formação de um Governo.

A reunião de António Costa com os deputados eleitos pelo PS nas últimas eleições legislativas terá lugar pelas 17:00, no parlamento, e nela deverá ser anunciado o nome do antigo secretário-geral socialista Ferro Rodrigues como candidato a presidente da Assembleia da República, cuja eleição (que se fará por voto secreto) está marcada para sexta-feira, na primeira sessão plenária da nova legislatura.

Tanto perante o Grupo Parlamentar, como na reunião da Comissão Política Nacional (esta marcada para as 21:30), o tema forte será a análise do processo de diálogo que António Costa encetou com as diferentes forças políticas.

Na terça-feira, após ter sido recebido pelo Presidente da República, no Palácio de Belém, o líder socialista considerou estarem criadas condições para que o PS possa formar um Governo com apoio maioritário na Assembleia da República e que assegure condições de estabilidade - posição que foi pouco depois repetida pela porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, e hoje pelo secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.

Numa alusão à hipótese de o Presidente da República indigitar o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, para formar novo Governo, António Costa advertiu que não se deverão prolongar no tempo "situações de indefinição e incerteza através de soluções que antecipadamente" se sabe que não têm viabilidade de terem apoio maioritário no parlamento.

Membros da direção do PS referiram à agência Lusa que "dificilmente" a Comissão Política Nacional de quinta-feira terá para decidir um acordo de Governo já fechado com o Bloco de Esquerda, PCP e Partido Ecologista "os Verdes".

Em todo o caso, espera-se que o secretário-geral do PS receba novo mandato da Comissão Política para fechar um acordo de Governo com as restantes forças de esquerda representadas no parlamento.

Em relação ao teor desse eventual futuro acordo, pouco de sabe, mas entre os dirigentes socialistas contactados pela agência Lusa considera-se praticamente assente que o PS deixe cair pontos do seu programa no sentido de baixar transitoriamente a Taxa Social Única ou de introduzir o despedimento conciliatório na legislação laboral - duas das "linhas vermelhas" colocadas diretamente pelo Bloco de Esquerda, que também merecem oposição total por parte do PCP e que mesmo no interior do PS nunca foram pacíficas.

Em contrapartida, as linhas vermelhas do PS são o respeito pelos compromissos internacionais de Portugal em relação à Aliança Atlântica e União Europeia, designadamente as regras da zona euro e as inerentes metas orçamentais.

Sobre o modelo de Governo, membros da direção do PS referiram à agência Lusa que esse tema não mereceu até agora qualquer análise aprofundada nas negociações. Adiantam que António Costa admitiu abertura para que PCP e Bloco de Esquerda possam eventualmente integrar um futuro executivo, mas que o cenário mais provável, neste momento, será um Governo constituído pelo PS e suportado por um acordo de incidência parlamentar subscrito pelo Bloco de Esquerda, PCP e "Os Verdes".