«É preciso descaramento». Foi desta forma, sem meias palavras, que António Costa reagiu às afirmações da ministra das Finanças, no Parlamento, esta quarta-feira. Maria Luís Albuquerque advertiu que os portugueses que o cenário macroeconómico do PS, apresentado ontem, promete «devolver mais depressa para depois tirar em dobro», como aconteceu no governo de José Sócrates, com um aumento de 2,9% em 2009 nos salários da função pública e um corte de 10% depois.

António Costa defende que o Governo «falhou» no seu programa eleitoral «e chegou ao fim» com mais dívida e desemprego.

«Está completamente esgotado e sem nada propor para o futuro. Não sei se repararam que o debate de hoje já não incidiu nos documentos apresentados pelo Governo e sim pelo partido socialista»

O secretário-geral do PS falava depois de uma primeira reunião com os parceiros sociais , falando já como se tivesse sido eleito, assinalando que «é importante que todos participem», para que a próxima legislatura seja «estável».

A Passos Coelho, que disse que o programa apresentado pelos socialistas mostra que o PS está mais «preocupado» em ganhar eleições, António Costa pediu ao primeiro-ministro para fazer o «que lhe compete: «Chegar ao fim do mandato o mais rapidamente possível e concentrar-se na governação». O PS «tem um programa que é credível e existe».  O Governo é que não, segundo o líder socialista. 

Já o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, advertiu também hoje que o  plano do PS pode ser novo memorando da troika.