O secretário-geral do PS, António Costa, disse esta sexta-feira à noite em Matosinhos que a relação com o partido é "uma relação única porque não é uma relação de cartão, é uma relação de coração".

A relação do PS de Matosinhos é uma relação única porque não é uma relação de cartão, é uma relação de coração. É uma grande satisfação verificar que a porta do PS a Matosinhos nunca se fecha para ninguém. A porta do PS de Matosinhos está sempre aberta para todos os que cá estão, os que nunca cá estiveram, os que por algum tempo nos deixam. Mas o partido fica sempre, o partido está cá sempre e tem sempre a porta aberta para todos aqueles que são socialistas do coração", disse o secretário-geral socialista.

António Costa discursava no jantar de apresentação de Luísa Salgueiro, candidata do PS às autárquicas agendadas para 01 de outubro, sessão feita na noite do dia em que ex-candidato dos socialistas à Câmara de Matosinhos, nas eleições de 2013, António Parada, entregou o seu cartão de militante, depois de 35 anos de filiação, em rotura com o líder da Federação Distrital.

Na sexta-feira, em declarações à agência Lusa, António Parada disse que sai do PS "apenas" pela forma como a Federação Distrital, nomeadamente o presidente, Manuel Pizarro, conduziu o processo de escolha do candidato do partido às eleições deste ano, a deputada Luísa Salgueiro, afirmando que a decisão foi feita "dentro do gabinete com meia dúzia de pessoas".

António Parada apontou estar a "ponderar" se vai ou não candidatar-se como independente às eleições de outubro, algo que, garantiu, nunca pensou enquanto estava no PS, dizendo-se "incapaz de fazer essa maldade" ao partido que o acolheu desde os 14 anos.

O agora ex-militante garantiu que este é um "adeus definitivo" ao partido socialista e que, ao contrário de outros autarcas, não avançará como independente para, uns meses depois, voltar a filiar-se.

Já esta sexta-feira à noite, num discurso curto centrado na candidatura a Matosinhos, distrito do Porto, e ainda que sem se referir diretamente a qualquer polémica no PS local, António Costa afirmou-se convicto de que Luísa Salgueiro vai ser a primeira presidente da Câmara Municipal de Matosinhos.

"A primeira missão de um autarca é tratar das suas gentes, seja das crianças ou dos jovens, seja da saúde dos munícipes de Matosinhos", disse António Costa, dirigindo-se a Luísa Salgueiro, de 49 anos, natural de Matosinhos que atualmente é vice-presidente e coordenadora do Grupo Parlamentar do PS para as áreas da Saúde.

No jantar - que decorreu no Centro de Congressos e Desportos e reuniu, segundo a organização cerca de 1.700 pessoas - foi muitas vezes lembrado o ex-presidente da câmara Guilherme Pinto, autarca que morreu em janeiro e que se tinha desfiliado do PS antes das autárquicas de 2013, as quais venceu como independente exatamente contra António Parada, então escolhido para candidato dos socialistas.

António Costa recordou que Guilherme Pinto "procurou e cumpriu" o regresso ao PS antes de falecer, provando a tal "relação de coração" com o partido e, dirigindo-se ao atual presidente da Câmara de Matosinhos, o independente Eduardo Pinheiro que é número dois na lista de Luísa Salgueiro, elogiou-o por ter assumido "com grande humildade e grande determinação" as funções que herdou.

[Será] longa e prestigiada a vida do PS de Matosinhos agora com Luísa Salgueiro", concluiu António Costa, após discursos que também versaram sobre "confiança" e "união", como foram os de Manuel Pizarro e de Eduardo Pinheiro.

Já Luísa Salgueiro apresentou algumas das suas principais linhas programáticas e prometeu lutar por "um concelho em que todos têm as mesmas oportunidades".

"Convoco-vos, a todos, para, em conjunto, continuarmos a construir o futuro (...). Existe um ciclo da vida e temos um papel determinante em cada uma das etapas das nossas vidas", disse Luísa Salgueiro.