O secretário-geral do PS, António Costa, considera que é “essencial” que a Assembleia da República seja “plenamente informada” sobre o conjunto de condições envolvidas no processo de privatização da TAP e recordou o caso BES para sublinhar que "não se pode brincar com a confiança das pessoas". O líder socialista disse ainda que espera que "os alívios de hoje" não sejam "angústias de amanhã", numa alusão às declarações de Cavaco que afirmou estar "aliviado" com a privatização da TAP.

“É essencial que a Assembleia da República seja plenamente informada do conjunto das condições desta alienação e que os alívios de hoje não sejam angústias de amanhã."


Costa lembrou o caso BES e particularmente as “garantias dadas pelos responsáveis políticos" antes do colapso do banco para afirmar que “não se pode brincar com a confiança das pessoas”.
 

“Todos estamos recordados como com base em informações confidenciais, vários responsáveis políticos demonstraram confiança no futuro do BES e depois veio-se a confirmar que essas garantias dadas pelos responsáveis públicos não tinham valor nenhum. Não podemos brincar com a confiança das pessoas."

As declarações do líder socialista, esta terça-feira, à margem de uma reunião com autarcas socialistas em Coimbra, surgem depois de o PS ter questionado o Presidente da República, na segunda-feira, no sentido de saber se o chefe de Estado tem mais informações sobre o negócio da TAP do que a Assembleia da República. Isto depois de Cavaco Silva ter dito, no domingo, que está "aliviado" com a privatização.

De resto, António Costa voltou a reiterar a posição do partido em relação à privatização da companhia: os socialistas estão contra o facto de a maioria do capital da ser alienada a privados e lamentam a concretização do negócio a poucos meses das legislativas.

“É conhecida a posição do PS de que a maioria do capital seja alienado a privados. Em caso algum a maioria do capital deve ser alienada a privados. [...] É lamentável que um empresa seja objeto de privatização numa luta contra o tempo sem consenso.”

 
Sobre a Grécia e o impasse nas negociações entre Atenas e os credores, Costa destacou que se trata de uma situação que espelha duas conclusões fundamentais: posturas radicais não são bons caminhos e uma posição intransigente pode dar mau resultado.

 “É uma boa demonstração de como as posturas radicais não são bons caminhos para resolver os problemas e também como a posição intransigente de quem negoceia do lado europeu pode conduzir a um mau resultado .”

 
O socialista sublinhou que “é fundamental que a Grécia se mantenha na zona euro” e, para isso, entende que tem de haver “abertura construtiva de parte a parte” para ultrapassar a situação.

O relatório do Observatório dos Sistemas de Saúde divulgado esta terça-feira também mereceu a reação de Costa, que aproveitou para tecer duras críticas às políticas do Executivo de Passos Coelho no setor da saúde.

“Aquilo que não é secreto foram os dados revelados pelo estado em que se encontra o Serviço Nacional de Saúde. Como se viu pelo relatório estes quatro anos de politicas de saúde tem sido dramáticos e é urgente melhorar a acessibilidade dos cidadãos aos SNS."