O primeiro-ministro, António Costa, defendeu este sábado, em Viena, que o debate sobre o sistema de Justiça em Portugal deve ser feito desligado “de um caso em concreto” e não pode ser “capturado por interesses corporativos”.

“Acho que a reflexão sobre a justiça deve ser feita serenamente e, sobretudo, não pode ser feita a propósito de um caso em concreto, qualquer que ele seja”, declarou, à saída de um encontro bilateral com o chanceler austríaco, Christian Kern, na sequência da cimeira informal de Bratislava sobre o futuro da União Europeia.

Questionado em concreto sobre o caso do ex-primeiro-ministro José Sócrates e a polémica em torno da Operação Marquês, António Costa disse que o que defende se aplica a “esse caso ou qualquer outro”.

“Nós temos de ter um sistema de justiça que garanta o direito dos cidadãos, que contribua para o desenvolvimento da economia e que assegure um Estado de direito. E só uma justiça eficaz o pode fazer (…) Mas tem que ser um debate desligado de temas concretos e não pode ser um debate obviamente capturado por interesses corporativos”, declarou.

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Para o primeiro-ministro, trata-se de “um debate que deve ser conduzido tendo em conta que a justiça é um pilar fundamental do Estado de direito democrático”.

Indiferente a sondagens sobre eleições que país não vai ter

António Costa, escusou-se a comentar uma sondagem publicada este sábado segundo a qual o PS venceria as eleições legislativas, sustentando que essas eleições não vão ter lugar agora, mas apenas daqui a três anos.

“Não vou comentar sondagens, sobretudo relativamente a eleições que não vamos ter. Nós temos felizmente hoje uma situação politicamente estabilizada no país, o ciclo eleitoral a nível nacional encerrou-se com a eleição do senhor Presidente da República, e agora as únicas eleições que temos em agenda são as eleições regionais nos Açores, muito brevemente, e daqui a um ano eleições autárquicas”, apontou, em declarações em Viena, à saída de um encontro bilateral com o chanceler austríaco, Christian Kern.

Para Costa, “as eleições legislativas é um assunto para daqui a três anos, e até lá muita água há de correr por baixo da ponte, muitas sondagens hão de aparecer”, e será então nessa altura que olhará para as sondagens.

Até lá, sustentou, o Governo vai fazer aquilo que lhe compete, que é “governar e aproveitar esta estabilidade que hoje existe”, fruto de “uma maioria parlamentar que funciona, que tem um programa que está a cumprir”, de haver “uma relação institucional com o Presidente da República não só normal como frutuosa”, de haver “uma autonomia do poder judicial respeitada, autonomia do poder regional respeitada e reposta a normalidade do relacionamento com as autarquias locais”.

“Portanto, o país tem regressado à normalidade, como simbolicamente pudemos verificar esta semana com a tranquilidade com que abriu o ano letivo e é nisso que nos devemos concentrar”, concluiu.

Uma consulta da Eurosondagem para o Expresso e SIC, divulgada este sábado, aponta que se as eleições fossem este sábado os socialistas seriam os vencedores (com 36%), deixando os sociais-democratas a quase quatro pontos de distância (com 32,1%).