O secretário-geral do PS advertiu esta quinta-feira que as democracias europeias atravessam uma crise de confiança e frisou que o seu partido apresentará um programa eleitoral com compromissos cuja exequibilidade possa merecer a confiança dos cidadãos.

Palavras proferidas por António Costa perante a Câmara do Comércio Luso Espanhola, numa intervenção em que dedicou 20 dos 30 minutos à explicação dos objetivos políticos, económicos e financeiros do documento elaborado para o PS por um conjunto de economistas, denominado "Uma década para Portugal".

Com o antigo ministro das Finanças social-democrata Eduardo Catroga sentado na plateia, António Costa referiu-se sobretudo à crise de confiança nos regimes democráticos que afeta vários Estados-membros da União Europeia.

O secretário-geral do PS advertiu que o cenário macroeconómico "não é o programa de Governo" do seu partido, mas a base e o enquadramento no qual será elaborado o futuro programa eleitoral.

"Hoje, o maior desafio que se coloca às nossas democracias é a relação de confiança que se estabelece entre governantes e cidadãos - e a confiança passa designadamente pela credibilidade das propostas políticas que se apresentam. Ao fim de anos governados por modelos económicos, todos sentimos que é necessário afirmar o primado da política, mas o primado da política não se afirma se as políticas não forem sustentáveis e se não passarem no crivo da exequibilidade", advertiu o líder socialista.


Por essa razão, segundo António Costa, o PS desenhou um cenário macroeconómico, definindo a margem de exequibilidade de políticas públicas para a próxima legislatura.

Após justificar perante os convidados da Câmara Luso Espanhola os motivos subjacentes às propostas do cenário macroeconómico socialista no sentido de travarem a celebração de contratos a prazo e para reduzirem a taxa social única de empregadores e trabalhadores, o secretário-geral do PS frisou que esse documento ainda se encontra em discussão pública, sobretudo entre parceiros sociais e agentes económicos.

Nesse contexto, deixou uma mensagem de caráter político: "Vamos apresentar um programa de Governo credível, em que as pessoas possam confiar nos compromissos assumidos".

"Quem assume os compromissos tem de confiar na possibilidade de os executar e, ao mesmo tempo, tem de vencer este desafio difícil de virar o quadro da austeridade, sem romper com o quadro da moeda única em que estamos inseridos e queremos continuar a estar inseridos", acrescentou.