O secretário-geral do PS, António Costa, anunciou hoje "um compromisso" de um programa de reabilitação urbana no valor de mil milhões de euros, desvalorizando os 50 milhões de euros disponibilizados pelo Governo.

"Nós assumimos um objetivo, que é um compromisso concreto e um objetivo quantificado, que não é de lançar um programa de 50 milhões, mas é um programa de mil milhões de euros para pôr a reabilitação urbana a andar e a funcionar neste país, porque é assim que relançamos a economia e podemos criar emprego", afirmou António Costa.


O objetivo foi quantificado pelo líder socialista num comício na Mouraria, após um dia em que percorreu desde cerca das 15:00 obras da Câmara Municipal de Lisboa, que presidiu até recentemente e que é atualmente liderada por Fernando Medina, procurando estabelecer um contraste entre o Governo do país e o da capital.

No final do discurso de António Costa, um homem, que disse defender a baixa do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e uma reavaliação dos edifícios, e que já tinha abordado o secretário-geral do PS à entrada para o Largo da Severa, colocou bruscamente os papéis que trazia consigo em cima do palanque usado para as intervenções.



"O bom exemplo de como este Governo escolhe as políticas erradas é a falta de prioridade que deu à reabilitação urbana. Vimos agora o Governo anunciar com grande surpresa que colocou 50 milhões de euros para reabilitação urbana e que em menos de uma semana esses fundos se esgotaram", afirmou António Costa na sua intervenção.

"É natural, porque o que a reabilitação urbana precisa não é de 50 milhões de euros, o que a reabilitação urbana precisa é de um grande programa, pujante, vigoroso, que relance a economia e que faça reabilitação urbana a sério em Portugal", argumentou.

Para o secretário-geral do PS, a reabilitação urbana é central porque "permite relançar o setor da construção, criar emprego, melhorar as condições da habitação, melhorar a qualidade da cidade e melhorar a eficiência energética".

Num discurso em que polarizou as "escolhas muito evidentes" das próximas eleições, entre o PS e a coligação PSD/CDS-PP, que acusou de querer continuar a austeridade e privatizar a Segurança Social, Educação e Saúde, António Costa defendeu também a transferência de competências para as autarquias nas áreas do policiamento de trânsito e dos transportes públicos.

António Costa percorreu obras da Câmara de Lisboa que já foram inauguradas pelo seu sucessor - os Terraços do Carmo, o Museu do Aljube, o elevador de Santa Luzia, e o Jardim da Cerca da Graça -, para poder dizer no comício-festa, em que houve sardinhas e fados, que Fernando Medina "já fez mais em cinco meses do que este Governo fez em todo o país nos últimos quatro anos".

O dia foi mesmo dedicado a estabelecer comparações entre o Governo e a autarquia em que António Costa passou oito anos.

"Eles gostam muito de fazer comparações, então, nós estamos disponíveis para as comparações. E podemos comparar tudo. Podemos comparar como nós gerimos as finanças da Câmara e como é que eles geriram as finanças do país", afirmou, apontando para a taxa mínima de IMI e a descida do IRS decididas pela Câmara de Lisboa e o aumento de impostos no país, assim como o investimento cortado pelo executivo de Pedro Passos Coelho e o realizado na capital.

Para o secretário-geral do PS, "a melhor comparação" é no ponto em que a coligação gosta de sublinhar uma "marca distintiva": a dívida.

"Eles herdaram uma grande dívida e aumentaram-na em mais 18%, nós herdámos uma grande dívida e baixamos em 40%".