O secretário-geral do PS anunciou que o Orçamento do Estado para 2019 terá "incentivos fortes" para fazer regressar a Portugal quem emigrou nos "momentos dramáticos" de 2011 a 2015, desde benefícios fiscais a deduções dos custos do regresso.

"No próximo Orçamento do Estado iremos propor que todos aqueles que queiram regressar, jovens ou menos jovens, mais qualificados ou menos qualificados, mas que tenham partido nos últimos anos e queiram regressar entre 2019 e 2020 a Portugal, fiquem, durante três a cinco anos, a pagar metade da taxa do IRS que pagariam e podendo deduzir integralmente os custos da reinstalação", disse António Costa, em Caminha, na “Festa de Verão” do PS.

O também primeiro-ministro referiu que o Governo quer "criar a oportunidade para que possam voltar, para que possam voltar a contribuir para o desenvolvimento do país”, a pôr “ao serviço do país, todo o seu conhecimento, toda a sua energia, toda a sua força".

"Quando falamos de jovens, e mesmo de menos jovens, não podemos esquecer que o país viveu momentos dramáticos, em particular entre 2011 e 2015, muitos portugueses foram obrigados a deixar de novo o país para encontrar emprego. A liberdade de circulação é ótima, mas há uma enorme diferença entre a liberdade de partir e o partir pela necessidade de não ter emprego aqui em Portugal", acrescentou.

António Costa apontou como "bom exemplo" do regresso de jovens ao país o caso do atual titular da pasta da Educação.

"Temos tido casos de sucesso. Eu ter ido a Cambridge buscar um jovem investigador como o Tiago Brandão Rodrigues permitiu-nos ter um excelente ministro da Educação. Mas, temos de criar condições para que outros possam também voltar, mesmo não sendo ministro da Educação", disse.

“Maior de sempre” para a Cultura sem esquecer Ciência e Educação

Costa revelou que o Orçamento de Estado para 2019 "vai ser o maior de sempre" para a Cultura, que a Ciência terá um grande "aumento orçamental" e que se vai "continuar a investir" na Educação.

"Temos que apostar na inovação e apostar na inovação significa investir na Cultura, na Ciência e na Educação. É por isso que o Orçamento do próximo ano vai ser o maior orçamento de sempre na Cultura, entre aquilo que se investe na criação artística, no ensino artístico e na promoção da língua", prometeu António Costa.

Quanto à Ciência, o líder do PS e primeiro-ministro revelou que "no próximo ano a Ciência vai ter o maior aumento orçamental" no conjunto das áreas: "Designadamente vamos permitir cumprir o compromisso de criar cinco mil lugares de emprego científico, entre setor público e privado, de forma a criarmos mais emprego qualificado para a nova gerações qualificada que está a sair dos nossos politécnicos e universidade", enumerou.

Além disso, acrescentou, outro objetivo é continuar “a investir na Educação desde o pré-escolar ao Ensino Superior com a particular atenção no ensino profissional", disse António Costa, que, à entrada da “Festa de Verão”, tinha à sua espera elementos do Grupo de Lesados do Novo Banco/Lesados Papel Comercial e Lesados Emigrantes.

O desenvolvimento do interior foi outro dos pontos presentes no discurso, com António Costa a lembrar as medidas já aprovadas em Conselho de Ministros para desenvolver aquela faixa do país.

"Ao contrário do que se ouve dizer, investir no interior não é só uma questão de justiça para as populações, mas é poder valorizar um ativo e pô-lo ao serviço do crescimento do país e da nossa economia", apontou o líder socialista.

Quanto à ferrovia, e depois de uma semana marcada por uma "suposta polémica" com o comboio fretado pelo PS para a festa do PS em Caminha, a resposta surgiu do líder da distrital de Viana do Castelo, que discursou antes do secretário-geral do partido, Miguel Alves:

"A direita tem medo dos comboios, quis privatizar os comboios e agora tem medo do comboio que enchemos até Caminha. É o retrato da direita que temos em Portugal, dos casos sem sentido. A luz que a direita vê ao fundo é o comboio do PS que vai levar tudo à frente", esclareceu.

E com o repto ao apelo no voto ao PS lançado pelo dirigente local, António Costa defendeu ser necessário "dar mais força" ao PS em várias mensagens.

"É preciso não haver ilusões, não há em Portugal nenhum Governo progressista sem o PS e sem que o PS tenha força para formar esse Governo", avisou Costa que disse "avaliar positivamente" o trabalho feito com os parceiros (PEV, PCP e BE).

"Eles têm sido essenciais, mas o PS é e será sempre imprescindível para que haja um Governo de esquerda em Portugal. É, por isso, necessário dar força ao PS para dar continuidade" àquelas que considerou serem "boas políticas", sem desfazer a dúvida sobre se o PS irá pedir ou não uma maioria absoluta aos eleitores.

"E, como não gosto de tabus quero deixar muito claro uma coisa, nós só temos uma meta nestas eleições: ganhar. Ganhar as europeias, ganhar as legislativas e pela primeira vez ganhar as eleições regionais na Madeira, é esta a nossa meta", disse, apenas.