O Presidente da República disse esta terça-feira que o particular de futebol entre Portugal e a Bélgica será um jogo pela defesa dos princípios comuns dos cidadãos e uma manifestação da solidariedade do povo português com os belgas.

O Estado português veio aqui dizer, e eu em particular em nome dos portugueses, da nossa amizade e solidariedade com o povo belga, num momento particularmente dramático da sua vida, que é sua, mas que é também a vida da Europa e do mundo”, defendeu Marcelo Rebelo de Sousa em declarações à RTP.

Para o presidente da República, o Portugal-Bélgica, que decorre no estádio Municipal de Leiria, é mais do que um jogo de futebol. “É um jogo de amizade, da defesa dos princípios que são as causas comuns”, completou.

A adesão dos portugueses que aqui vão estar significa isso também: que estamos perante um espetáculo desportivo, mas também perante uma grande manifestação humana, de quem não se intimida, não tem medo, que defende as suas causas”, destacou ainda.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que a lotação esgotada do encontro particular, que inicialmente estava marcado para Bruxelas, antes dos atentados que mataram mais de três dezenas de pessoas, é sinal de que o povo português percebeu a mensagem.

Quando aqui está o Presidente da República e todos os órgãos de soberania quer dizer que estamos aqui a representar os portugueses e a dizer da nossa admiração e solidariedade com o povo belga na luta pela democracia, liberdade, direitos humanos, por aquilo que é fundamental”, prosseguiu.

O chefe de Estado português teve ainda uma palavra de apreço para a Federação Portuguesa de Futebol, elogiando o mérito da entidade em assegurar que o jogo seria realizado em Leiria, de modo a dar “um exemplo ao mundo”.

Não nos podemos intimidar, temos de continuar a vida normalmente”, defendeu.

O Presidente da República prometeu ainda visitar o balneário da seleção nacional após o encontro, uma vez que os jogadores demonstraram estar a vibrar “em uníssono com o povo português por uma causa que é fundamental”, sobretudo tendo em conta que daqui a poucos meses estarão em França, no Europeu, numa situação que definiu como sendo “de risco”.

Também o primeiro-ministro António Costa considerou que o jogo particular de futebol entre Portugal e a Bélgica é um momento de solidariedade para com o povo belga e uma resposta ao medo que os terroristas querem disseminar.

[O Portugal-Bélgica] É bastante mais do que um jogo de futebol. É um momento de solidariedade para com o povo belga, com o reino da Bélgica pelo atentado que sofreram e que vitimou de uma forma tão horrenda e que nos atingiu a todos”, sublinhou o primeiro-ministro.

Em declarações à RTP, António Costa considerou que os atentados de Bruxelas foram um atentado contra a Europa.

E, por isso, é nosso dever sermos solidários. É um gesto de solidariedade neste momento de dor”, referiu António Costa, considerando que “é necessário que existam medidas de segurança para combater o medo e dar a ideia de segurança”.

Para António Costa, “a maior vitoria” que se podia “oferecer aos terroristas era mostrar medo”.

A vida tem de seguir a sua normalidade porque essa é a forma que temos de afirmar os nossos valores e a nossa liberdade. A liberdade de haver jogo é uma liberdade que temos de defender”, afirmou.

O governante defendeu que é necessário “seguir em frente”, reconhecendo que “é difícil”, lembrando que “a cidade de Paris também tem vindo a retomar a sua vida”.

Temos de ter consciência que essa ameaça existe e não tem fronteiras, pode também existir entre nós. É para isso que é necessário reforçar a segurança”, afirmou António Costa, que assumiu que “nunca ninguém está preparado para situações destas”.

O encontro entre Portugal e Bélgica estava previsto para Bruxelas, mas acabou por ser transferido para Leiria, devido aos atentados de há uma semana na capital belga.

Uma série de explosões, reivindicadas pelo autodenominado Estado Islâmico, causaram mais de três dezenas de mortos.