"S .Pedro está a desafiar a cidade do S. João". Costa constatou a ameaça da chuva, no Porto, para terminar o seu discurso a querer que chovam votos no PS. Guardou para a última frase o que vaticina ser uma de duas escolhas possíveis para os portugueses. 

"Ou se ganha agora, ou se perde para quatro anos. Ou se ganha agora ou se perde par quatro anos. Aquilo que está em causa para cada um, aquilo que está em causa para a consciência de cada um é não perdermos a oportunidade agora". 


A precisamente uma semana das eleições, Costa entrou na onda da maioria absoluta, depois de já de manhã, nas Caxinas, ter feito o pedido no meio da multidão, mas em direção às câmaras da televisões. 

" Sabemos bem que uma maioria absoluta é necessária, mas não chega. Sabemos bem que maioria absoluta deve existir com diálogo social, deve existir com compromissos políticos alargados", prometeu, argumentando que "o PS pela posição que sempre teve, está em melhores condições para merecer a confiança para ter a maioria absoluta, promover o diálogo social" e, repetiu, garantir um compromisso político alargado. Os apoiantes que encheram a Cordoaria, junto aos Clérigos, também gritaram convictos: "Maioria, maioria, maioria!". 

 O candidato a primeiro-ministro voltou a acusar o Governo de "radicalismo ideológico" e de ser "ultra-liberal", com uma "insensibilidade social" para tudo. " Eles querem agora assustar os portugueses, mas coitados, depois de tudo o que fizeram não há mais susto para os portugueses do que a ideia de que eles possam continuar a governar o nosso país", assinalou, depois e já ontem ter dito que só  imaginar esse cenário causava "um arrepio na espinha". 

Hoje, com os apoiantes a gritarem: "Eu confio! Eu confio!", o slogan socialista, Costa animou-se mais, citando o que lhe dizem na rua: "Corra com eles, mande-os daqui para fora, corra com o Coelho, mande o Portas daqui para fora!". 


"Voto da mudança quimérica deixará tudo na mesma"


Ele próprio, e os socialistas que o acompanharam, colocaram a responsabilidade da estabilidade nos eleitores. O ex-ministro António Vitorino pediu a todos para pensarem na cruz que vão colocar no boletim. Quem estiver "à procura de uma mudança quimérica, pode acabar por deixar tudo na mesma". "Na noite 4 de outubro, se não concentrarem votos no PS vão ver cara de Passos e Portas para os próximos quatro anos. É preciso, por isso, dar força" ao PS, pediu. 

António Costa, de resto, voltou a apelar além fronteira do PS. Garantiu que o seu partido "não está fechado na sua própria casa", até porque mobilizou "um conjunto notável de figuras por todo o país", como é o caso de Alexandre Quintanilha, cabeça de lista pelo Porto, exemplificou. 

E assumiu que a próxima semana é "decisiva" para "convencer todos que é cada voto que decide e que nestas eleições, não há segunda volta". "Não é um campeonato com primeira e segunda eliminatória, não há segunda mão. Não se ganha aos pontos e pode ter-se empatado ontem, com a esperança de ganhar no fim", atirou. Por isso, pediu que "ninguém se iluda":
 
"Agora, todos os dias, [a coligação] vem prometer tudo a todos outra vez. Lembrem-se todos: eles já traíram a confiança dos portugueses quando cortaram pensões e aumentaram impostos. Quem traiu uma vez, não garante que não volte a trair. Se à primeira qualquer um cai, à segunda só cai quem quer. Ninguém pode voltar a cair na esparrela desta governo". 
 


"Eles são o lobo mau"


Se as comparações entre a política e os filmes de animação infantil têm marcado esta campanha, Costa não fugiu à regra. Alertando que "é preciso ter muita cautela", afirmou que "eles", Passos Coelho e Paulo Portas estão a criar novas personagens apenas e só por estarem em campanha eleitoral.  
 
" Bem querem parecer a avozinha do capuchinho vermelho. Todos nós sabemos a história: a avozinha do capuchinho vermelho era o lobo mau. E é mesmo isso que eles são: eles são o lobo mau". 
Logo quando tomou a palavra, Costa foi interrompido por uma cena que não estava prevista. Um jovem manifestante subiu ao palco. Com um cartaz amarelo, tomou lugar no microfone  e disse:   “Quero por estes políticos a limpar florestas. Todos”.  

O líder socialista não se atrapalhou e responde: "Ele tem toda a razão é fundamental limpar as florestas, porque as florestas são um grande património do nosso país". Aproveitou para lembrar que, enquanto ministro da Administração Interna, lançou "um slogan bem válido", palavras suas: "Portugal sem fogos depende de todos". 

O PS invadiu as ruas do grande Porto este sábado, com quatro arruadas, depois de ter estado dois dias afastado das multidões, a não ser nos comícios. Mais povo, a garra e a genuinidade do Norte, várias súplicas das pessoas por soluções para os dramas do país e a sombra do líder que derrotou, António José Seguro.