O espaço era criativo e dava largas às metáforas desta campanha eleitoral. António Costa entre fazedores, na Fab Lab Lisboa. Esta comunidade de empreendedores ocupa um antigo matadouro no Mercado Forno do Tijolo da capital. Ora, na segunda semana de campanha, o Partido Socialista entrou mais a matar - salvo seja - no apelo ao voto útil, nos ataques à coligação e também aos partidos mais à esquerda. 

Na Fab Lab, o líder socialista cheirou sabonetes em forma de tijolo, percebeu como funcionavam impressoras 3D e teares mais pequenos, mas superfuncionais. E nova metáfora: "Tudo isto são peças que se encaixam", disse-lhe a tecedeira. Costa ganhou um tear de presente. Nem mais: " Tenho uma alternativa aos puzzles". 

Ficamos a saber que o candidato a primeiro-ministro gosta desse jogo. E que, nesta campanha, tem gostado mais do verbo "concentrar" para se referir aos votos. Mas a pouco mais de três dias das eleições, e à luz das sondagens, ainda é preciso encaixar as peças do puzzle.

Isso e maior força para fazer o vento soprar para o campo socialista. Costa soprou. Literalmente. Uma das instalações digitais dos empreendedores permitia fazer isso mesmo. Uma brincadeira em que encontrou "obstáculos", disse o próprio rodeado de jornalistas, justificando com a sua presença a força de um sopro sem o efeito desejado para aparecer a mensagem da vitória nesse jogo: "A energia que criaste está em ti".
 

"Uma Lisboa AC e uma Lisboa DC, antes e depois de Costa"


Foi, no entanto, essa a energia que lhe reconheceram enquanto presidente de câmara, com os empreendedores presentes a dizerem "Obrigado" a um dos "maiores impulsionadores" para que o Fab Lab exista. 



Diogo Medeiros, da Startup Lisboa, quis mesmo fazer um "pitch" sobre António Costa. Contou que havia um projeto - que acabou por não se concretizar por questões burocráticas da administração pública - para fazer um elevador na Ponte 25 de Abril. 

Na altura, Costa apoiou a ideia. E foi ver. "Subimos umas escadinhas muito apertadinhas, escalámos aquilo tudo", contou o jovem empreendedor. Ora, temos um PS a querer abrir espaço, piscando o olho à esquerda, à direita, ao centro, aos indecisos. A campanha é feita de quilómetros na estrada à procura da luz ao fundo do túnel. 

A meta de Costa é para ser atravessada com o mesmo lema que tinha na câmara. O próprio lembrou "a história de 2008, com o fim da crise financeira da CML e o início da crise financeira internacional, que obrigou a olhar para a cidade de outra forma". E esse lema era: " A cada má notícia, uma boa iniciativa". Ser "catalisador" da energia da cidade. 

Em Lisboa, é onde Costa mais pode acelerar. Já conhece a pista. Ontem, a arruada na Morais Soares teve muita gente. O comício, à noite, mostrou maior força. O jovem da Startup assinalou "nunca como hoje" a capital teve "tantos jovens, técnicos e capital". Chegou mesmo a glorificar o ex-autarca no seu discurso: "Podemos dizer que houve uma Lisboa AC e Lisboa DC, antes de depois de António Costa".