O primeiro-ministro, António Costa, confirmou, esta segunda-feira, cerca das 02:45, a existência de cinco mortos provocados pelos incêndios deste fim de semana. Uma informação atualizada minutos depois pela própria Proteção Civil, que, cerca das 03:00, confirmou a existência de seis mortos. Aos três mortos de Penacova e da Sertã, juntam-se mais dois em Oliveira do Hospital e um em Nelas. O Governo declarou calamidade pública para os distritos a norte do Tejo.

Em Nelas, uma outra pessoa continua desaparecida.

Os incêndios causaram também desde domingo pelo menos 25 feridos, seis dos quais graves, e, destes, quatro estão relacionados com um acidente na autoestrada A25, quando as pessoas tentavam fugir às chamas.

António Costa esteve na sede da Proteção Civil, em Carnaxide, onde se inteirou da situação dramática que se viveu este domingo à noite e na madrugada de segunda-feira. 

No final da reunião, em declarações aos jornalistas, o primeiro-ministro reconheceu a insuficiência de meios para atender à dimensão da tragédia. "Hoje foi um dia muito difícil, em que os meios foram esticados até ao limite", vincou.

O chefe do Executivo sustentou que não há bombeiros que cheguem num dia com 523 incêndios, como no domingo, e advertiu que não há soluções mágicas para os fogos florestais, admitindo mesmo que os "problemas" vão repetir-se.

"Quando se tem 523 incêndios, é evidente que não há bombeiros para acorrerem a todas as situações", sublinhou.

Perante a questão se estas tragédias são então uma inevitabilidade em Portugal, António Costa negou.

"Não, não é uma inevitabilidade", mas "dias com mais de 500 ocorrências não se registava desde 2006. Este é o 22.º dia com maior número de ocorrências desde o princípio do século. E, portanto, é evidente que não há meios para acorrer a todas as necessidades", justificou.

António Costa assegurou ainda que mantém a confiança na ministra da Administração Interna - "Se não, não estava aqui com a senhora ministra" - e considerou "um bocado infantil essa ideia de que as consequências políticas são a demissão de ministros".

A principal consequência política num Governo é fazer aquilo que falta fazer", contrapôs.

Interrogado se o Presidente da República não deixou implícita a defesa de mudanças no Governo como consequência política a retirar das tragédias ocorridas com incêndios florestais deste ano, o primeiro-ministro rejeitou essa interpretação.

Acho que não. Acho que os portugueses querem uma atitude madura", defendeu.

António Costa deu depois como exemplo de "atitude madura" o processo no Parlamento que levou à constituição da Comissão Técnica Independente aos incêndios em Pedrógão Grande e Góis, cujo relatório foi divulgado na passada quarta-feira.

 

Calamidade pública a norte do Tejo

O primeiro-ministro revelou que foi assinado um despacho de "declaração de calamidade pública"  para os distritos a norte do Tejo.

Foi assinado por mim e pela senhora ministra da Administração interna um despacho de calamidade pública em todos os distritos a norte do Tejo, tendo em vista criar as melhores condições da mobilização de meios e, em particular, para assegurar aos bombeiros voluntários os seus direitos a participarem nesta missão, assegurando a justificação das faltas nos locais de trabalho e dois dias de descanso por cada um em que estiverem a participar no combate aos incêndios", justificou o primeiro-ministro.

Durante as declarações aos jornalistas, o primeiro-ministro afirmou que, a par das mudanças a introduzir na estrutura das florestas, o Governo vai também avançar já com reformas de fundo nos sistemas de prevenção e de combate aos incêndios florestais.

"Há que passar das palavras aos atos", afirmou o líder do Executivo, referindo-se então de forma elogiosa às conclusões constantes no relatório da Comissão Técnica Independente sobre os incêndios ocorridos em junho passado em Pedrogão Grande e em Góis.

"Temos um problema estrutural na nossa floresta. E isso falhou ao longo de décadas", disse.

Perante os jornalistas, António Costa disse que esse relatório da Comissão Técnica Independente contém um conjunto de recomendações "muito importantes" para a reforma do sistema de prevenção e combate aos incêndios.

"E nós vamos ter de o fazer em paralelo com a reforma da nossa estrutura florestal", frisou.

A responsabilidade dos incêndios não é dos nossos bombeiros. É da ordenação das florestas, que falhou durante décadas, e de quem ateia os fogos."

 

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