O primeiro-ministro, António Costa, justificou a declaração de calamidade pública, com efeitos preventivos, com a extensão do risco de incêndio e o prolongamento do esforço do dispositivo nos últimos meses.

Agora é que era essencial que isso fosse feito, quer pela extensão do risco de incêndio quer pelo prolongamento que já temos tido ao longo destes sucessivos meses do esforço do dispositivo", defendeu António Costa.

O chefe do executivo, de visita ao dispositivo de patrulhas da Marinha, Exército, GNR, PSP e Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas de Vila Real, foi questionado pelos jornalistas sobre a decisão de ativar nesta altura e não antes a calamidade pública com efeitos preventivos.

Naturalmente, quando ao fim de dois meses o dispositivo está em permanente tensão, é natural - como todos nós - que comece a mostrar alguma saturação", argumentou.

De acordo com António Costa, foi, por isso, nesta altura "muito importante reforçar os meios" e tomar a decisão de conceder aos bombeiros voluntários dois dias de descanso por cada dia de combate aos incêndios, que só na circunstância da declaração de calamidade poderia ser tomada.

A declaração de calamidade pública, com efeitos preventivos, foi ativada às 14:00 de sexta-feira e prolonga-se até às 24:00 de segunda-feira, em cerca de 155 concelhos, sobretudo das zonas centro e interior norte do país e no Algarve, face ao "risco acrescido de incêndio nestes concelhos que se irá agravar progressivamente" no período de tempo abrangido.

Esta é uma medida excecional que foi adotada num momento, que é sempre um momento difícil, que é o meio de agosto, este ano particularmente difícil pelo prolongamento a que o dispositivo tem sido sujeito pelo trabalho intensivo e pelo elevado risco que existe", sustentou.

O primeiro-ministro declarou que "os meios têm estado empenhados no seu máximo em todas as circunstâncias", ressalvando que, "quando as ocorrências se multiplicam, obviamente os meios não se podem dispersar".

Aliás, as televisões têm testemunhado o depoimento dos populares, dizendo que compreendem que os bombeiros não possam estar simultaneamente em todo o sítio. Ainda ontem [sexta-feira] ouvimos que num concelho, creio que Abrantes, houve 11 focos de incêndio a aparecerem simultaneamente", ilustrou.

António Costa salientou que "quem exerce as funções de comando, ao nível distrital, ao nível municipal, é que pode fazer uma avaliação global de afetar os meios aquilo que é prioritário" e que a prioridade não pode ser a de cada cidadão, "tem de ser a prioridade coletiva".

Se formos ver os resultados extraordinários que têm sido obtidos face ao número de ocorrências que temos tido ao longo deste ano percebemos bem que não podemos medir a atividade de todo o setor da Proteção Civil pelos 10% de incêndios que não têm sido possível controlar", afirmou.

"Não podemos desvalorizá-los, esses são aqueles que dão a dimensão trágica. Um único deu uma dimensão incomparável do ponto de vista da destruição de vidas humanas, que foi o incêndio de Pedrogão Grande, mas há os outros 90%, em que o sistema reagiu e conseguiu controlar no prazo previsto o desenvolvimento dos incêndios", reforçou.

Segundo o primeiro-ministro, "é muito importante transmitir simultaneamente estas duas mensagens, porque é preciso dar uma palavra de alento a todos, em particular, aos bombeiros voluntários, que dão o seu melhor para a segurança" coletiva.

António Costa visitou na freguesia de Andriães, Vila Real, o dispositivo de patrulhas da Marinha, Exército, GNR, PSP e Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, no âmbito da declaração da situação de calamidade pública com efeitos preventivos.

O primeiro-ministro viajou num avião C295 da Força Aérea, equipado com um sistema de câmaras de deteção térmica, que partiu pelas 09:00 da base área de Sintra, para patrulhar a região Norte até segunda-feira, estando ainda no Algarve um avião P3.

Calamidade pública é “demagogia política”

A Associação Nacional dos Sargentos da Guarda considerou “demagogia política” a decisão de declarar calamidade pública em vários concelhos fustigados pelos incêndios e que não existem 300 elementos da GNR disponíveis para formar mais equipas de apoio.

Em comunicado, a ANSG refere que o despacho do Governo a estado de calamidade pública em várias zonas afetadas pelos incêndios e que determina a "mobilização extraordinária nomeadamente da GNR é pura demagogia política”, devido à falta de efetivos disponíveis.

“Tudo tem um limite, 150 equipas, promete o primeiro-ministro, correspondem no mínimo a 300 elementos, mas nem que fossem 20, na atualidade não existem, pois, corresponde à média de incorporação algo que nem isso se vislumbra. É dramática a falta de efetivos”, considera a associação.

Segundo a ANSG, “a GNR já se encontra para além dessa fronteira, face ao alargado âmbito de responsabilidades e tanta valência, que depois se torna incapaz de realizar, pela simples razão da inexistência do elemento essencial, ou seja recursos humanos”.