A um dia de terminar a campanha eleitoral, António Costa reforça a linha condutora de um discurso que tem como objetivo convencer os indecisos e, ao mesmo tempo, demarcar-se da era socrática. Pelo meio, um recado ao Presidente da República que ontem disse que já sabe "muito bem" o que vai fazer na segunda-feira, depois das eleições. 

"Desta vez, cada voto vai ser mesmo absolutamente essencial para garantir um resultado absolutamente inequívoco, de uma maioria absoluta que não dê pretextos a ninguém para não nomear na segunda-feira um Governo do PS". 

Embora continue a referir-se à maioria absoluta, António Costa tem vindo a admitir, como de resto aconteceu ontem duas vezes, o cenário de vencer só com maioria relativa.

Apesar disso, prometeu estar à altura para evitar "o caos" da ingovernabilidade e encontrar "soluções". Como argumento, tem apregoado por diversas vezes que o seu partido é o "campeão do pluralismo" e que ele, próprio, enquanto autarca, conseguiu acordos políticos para governar. 


Abstenção e indecisos: os alvos de Costa


Hoje, num almoço-comício em Gaia, antes da descida de Santa Catarina no Porto,  Costa assumiu que, mesmo estando a campanha na reta final, há ainda "muitos" que não decidiram como votar no domingo embora queiram que este Governo acabe, e que muitos podem estar tentados a ficar em casa.  A esses, fez uma primeira advertência:  "A abstenção é mesmo um voto indireto na coligação"

Depois, confessou também que tem-se confrontado com "sentimentos contraditórios" entre os eleitores. Há quem mudança para ver devolvido o que lhe foi retirado.  "Mas ao mesmo tempo outros dizem: mas vocês se calhar estão a prometer demais".  

O candidato a primeiro-ministro tentou explicar, quer argumentando com as "contas feitas" no programa eleitoral, quer com novo e reforçado distanciamento em relação às políticas da era socrática.  Para aqueles que "têm receio que isto não corra bem" a mensagem era erra: "Nós também aprendemos com a nossa própria experiência".

"É altura de o país continuar numa discussão infantil sobre grandes obras públicas e ser esse o tema de confrontação? Propomos fazer diferente: primeiro, o ciclo de obras públicas tem de ser alinhado com o ciclo de financiamento comunitário, porque não há recusos nacionais suficientes. Para os próximos quatro anos, com um ou outro ajustamento", serão as obras públicas já adjudicadas pelo atual Executivo.


 "Temos aquilo tudo que podemos fazer e nada mais daquilo que sabemos que podemos fazer. É a garantia que quero dar a todos aqueles que receiam que estamos a prometer demais", entafizou. 

Costa olhou ainda para aquela franja do eleitorado que só acredita numa verdadeira mudança se Portugal romper com a linha europeia da austeridade.

"Àqueles que dizem 'tá bem, isso é tudo muito bonito, mas sem romper com o euro, sem romper com a senhora Merkel, nada [do que o PS propõe] é possível, o que dizemos é que é possível. As regras na Europa já têm vindo a mudar. Hoje temos uma comissão que, apesar de tudo, já diz que é necessário um plano Juncker de investimento".


A linha defendida é que ninguém muda a Europa pelo confronto. "Muda-se a Europa em negociação. Para que haja sucesso é necessário haver alianças". 

António Costa e os socialistas que o acompanham na campanha têm vindo a  dramatizar, sobretudo na última semana, o voto útil no PS. As sondagens não são favoráveis e todos os cenários ainda estão em aberto.