O secretário-geral do PS afirmou esta quinta-feira que já há um candidato presidencial na área dos socialistas, numa referência indireta a Sampaio da Nóvoa, e disse não estar "angustiado" se mais algum candidato entrar na corrida a Belém.

António Costa falava aos jornalistas no final de um almoço promovido pelo International Club of Portugal, em Lisboa, que contou com a presença de dezenas de representantes do corpo diplomático e da ex-presidente do PS Maria de Belém, que ouviu um militante socialista interpelar o secretário-geral do PS sobre qual o motivo para não apoiar já uma candidatura presidencial da antiga ministra dos governos de António Guterres.

"Na área política do PS, até agora, só conheço uma pessoa que se candidatou. Não quero limitar o prazo e o tempo a ninguém para que o possa fazer, mas também não vivo na angústia de que mais ninguém se apresente. Vivo tranquilo", declarou.


António Costa defendeu em seguida não ver razão "para correrias" no PS sobre a questão presidencial e terminou a sua resposta com uma nota de humor, que, num primeiro momento, antes de completar a sua frase, terá deixado sem respiração parte dos presentes.

"Não há qualquer razão para andarmos em correrias e, para já para já, todos podem votar na Maria de Belém. Aliás, Maria de Belém é a primeira suplente [da lista de candidatos a deputados do PS] por Lisboa e eu sou o primeiro efetivo. Quem não quiser votar em mim, pode votar na Maria de Belém, votando na lista do PS pelo círculo eleitoral de Lisboa", rematou, provocando alguns risos na plateia.


Na resposta à questão colocada sobre a corrida a Belém, o líder socialista recorreu à história para defender que o PS "nunca tomou a iniciativa de propor qualquer candidato presidencial".

"O PS sempre adotou uma prática acertada de apoiar candidatos presidenciais que se tenham apresentado por si próprios", frisou, dizendo que tal aconteceu com o general Ramalho Eanes, com Mário Soares, Jorge Sampaio e Manuel Alegre.


António Costa defendeu também que o PS não tem razões para ser "particularmente apressado" na escolha do seu candidato ao Palácio de Belém, "até porque se verifica que a direita tem já um enorme problema, tendo o embaraço de uma sobreposição de candidatos que disputam a área da sua própria família política".

De acordo com o líder socialista, caso apareçam "outros candidatos ou outras candidatas (para não ser discriminatório quanto ao género) na área do PS, então o PS tomará as deliberações que deve tomar como sempre o fez".

"É verdade que nem sempre conseguimos que todos os socialistas votassem na mesma volta no mesmo candidato, mas a História nem sempre se repete", apontou, aqui numa alusão à sua preferência para que exista apenas um candidato na área do PS.


Depois, o líder socialista respondeu aos cometários políticos que têm sido feitos sobre a linha do PS na questão presidencial.

"Apesar de tudo, estamos hoje melhor do que há uns meses, porque há uns meses o que ouvia é que tínhamos um enorme problema. Dizia-se então que, enquanto a direita tinha múltiplos candidatos e múltiplas oportunidades, o PS vivia na angústia da orfandade de todos os candidatos que queria nenhum queria ser candidato", referiu.


Neste contexto, António Costa disse então que, pelas razões atrás apontadas, se conclui que "a primeira condição para alguém ser um excelente candidato é querer ser candidato".

"Essa é mesmo a primeira condição. Portanto, o PS no momento próprio pronunciar-se-á em função dos candidatos, ou das candidatas, que efetivamente se tiverem apresentado", acrescentou.