O secretário-geral do PS considerou esta quinta-feira que o Presidente da República «confia pouco» na capacidade dos socialistas obterem uma maioria absoluta nas próximas eleições, resultado que poupará os portugueses a uma situação pantanosa e a jogos partidários.

António Costa falava aos jornalistas após ter estado reunido cerca de 50 minutos com o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Henriques Gaspar, audiência em que esteve acompanhado pelo líder parlamentar do PS, Ferro Rodrigues.

No final da audiência, António Costa foi confrontado com a insistência do Presidente da República sobre a necessidade de 2015, argumentando que o país deve habituar-se ao compromisso e às negociações demoradas que as coligações implicam.

António Costa rejeitou esta tese defendida pelo chefe de Estado: «Creio que o senhor Presidente da República confia pouco na capacidade do PS de construir uma maioria absoluta que poupará ao país a essas incertezas», respondeu.

Sobre o teor da intervenção proferida por Cavaco Silva, na quarta-feira, no Palácio de Belém, perante os embaixadores portugueses, o secretário-geral socialista advogou que «os portugueses terão a presciência de compreender que a melhor forma de evitar uma situação pantanosa, ou o condicionamento do seu voto pela interpretação do senhor Presidente da República, é precisamente darem uma maioria absoluta ao PS».

«É para isso que nos estamos a bater, por forma a que possam ser os portugueses a determinar quem os governa - e isso não resultar nem de jogos partidários, nem da escolha do senhor Presidente da República», acrescentou António Costa.