Promessas leva-as o vento? António Costa diz que tem as contas feitas, um programa escrito, e que por ele terá de responder. No almoço-comício em Viseu, terra historicamente laranja, e depois de uma arruada algo contida, o líder do PS teve um discurso centrado no ataque ao ainda primeiro-ministro. 

"Não me furtei a esclarecer o que é que nós propomos. Somos o único partido que, e vez de andar a distribuir promessas a todos e em todos os sítios, temos um conjunto de compromissos escritos, que o vento não pode levar, e pelos quais teremos de responder na próxima legislatura. Não temos nada a esconder e não temos nada na manga". 

No périplo pelo Interior Norte do país, o líder do PS ouviu muitos pedidos de barragens, hospitais e eliminação de portagens por parte de empresários e a pressão dos autarcas socialistas nesse sentido.  Deixou promessas, noutros casos, uma abertura a tal, embora sem comprometimento assumido. 

Hoje, o líder socialista atirou na direção de Passos Coelho também pela sua recusa em participar em mais debates nos órgãos de comunicação, antes e durante a campanha: "Convidaram-nos para três debates nas televisões. Por alguma razão que ele lá saberá que [Passos] só aceitou o primeiro e agora sabemos porque é que não aceitou mais nenhum", ironizou. 

Recordou também que ainda hoje de manhã aceitou o convite da TSF para participar num debate durante duas horas. 

"Estranhamente os outros líderes aceitaram e qual foi a exceção? A exceção foi Passos Coelho que não se disponibiliza duas horas para explicar o que quer fazer na próxima legislatura"


Depois, subiu mais o tom nas acusações, acusando Passos Coelho de ter "traído" aquilo que prometeu há quatro anos e de agora querer "esconder" os seus objetivos: "privatizar a segurança social, despromover a escola pública".

Daí ao corte nas pensões foi um pulo, como de resto vem sendo habitual todos os dias desta campanha. "Já não bastava isto tudo, como agora também quer enganar os portugueses sobre o programa do partido socialista. Realmente não há limites para o descaramento. [Passos] andou com um risco riscado a repetir às pessoas" esse "truque". 

"Depois faz outro truque, faz outro truque. Quando referimos que eles querem cortar 600 milhões é a despesa que querem cortar num ano. E até podemos multiplicar por quatro e são 2.400 milhões de euros aos atuais pensionistas durante os quatro anos. Passos Coelho resolveu  fazer um truque do género 'querem poupar 250 milhões de euros por ano, então vou multiplicar por quatro'".


À semelhança do que tinha garantido pela manhã, no Fórum TSF, repetiu: "Que fique claro: não vamos cortar mil milhões de euros de prestações a ninguém, nem sequer 250 milhões de prestações a quem quer que seja".

Tempo ainda, a propósito, para uma lição de escola, neste arranque de ano letivo: a diferença entre os verbos poupar e cortar. Costa diz que o Governo, sim, cortou. O PS só quer poupar. 

"Eles cortaram efetivamente o que as pessoas tinham direito a receber. Têm uma total obsessão de cortar tudo aos portugueses que não percebem que há diferença entre cortar e poupar. Cortar é tirar a quem tinha direito a receber. Poupar é (...)  porque deixou de ser preciso. (...) poupar é gerir bem".


É isso que pretende com a tal poupança/corte nas prestações sociais não contributivas. 

No seu discurso, ainda pontuou as filas nas cantinas sociais, para fazer o retrato do empobrecimento no país, dizendo que são "a sopa dos pobres do século XXI".