O secretário-geral do PS, António Costa, disse esta sexta-feira, no Funchal, que a coligação que governou o país nos últimos quatro anos "traiu" os que nela votaram.

Num jantar comício de pré-campanha no Jardim do Centro Cívico de São Martinho, no Funchal, que reuniu, segundo a organização, cerca de 700 pessoas, António Costa sustentou que o governo de coligação PSD/CDS, de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, não cumpriu com as promessas que fez nas últimas eleições legislativas de há quatro anos.

O candidato socialista a primeiro-ministro chamou a atenção para o facto de o governo ter tido, ao longo dos últimos quatro anos, "todas as condições para poder governar".

"Teve uma maioria na Assembleia da República, teve um Presidente da sua cor política, teve até, durante muito tempo, a compreensão do PS relativamente a medidas que era necessário serem tomadas, teve a compreensão da generalidade dos portugueses, que percebiam que era necessário corrigir alguns erros que tinham sido cometidos", argumentou.


Costa considerou, contudo, que o executivo falhou nos objetivos principais.

"Mas este governo desperdiçou isto tudo, e falhou nos dois objetivos principais, na redução da dívida que, em vez de diminuir, aumentou, e falhou no objetivo de repor a economia a crescer, porque a nossa economia, em vez de ter andado para a frente, andou treze anos para trás. Este será o governo que fica para a história como sendo o primeiro governo que entrega um país mais pobre do que aquele país que recebeu quatro anos antes", declarou.

Para António Costa, é tempo de acabar com a situação atual: "é, por isso, que nós dizemos basta. Traíram os compromissos que assumiram, falharam nos objetivos a que se propuseram, propõem, agora, continuar o mesmo caminho porque, como dizem, não estão arrependidos".

"Pois nós dizemos: aqueles que não votamos neles, não estamos arrependidos mas também aqueles que votaram neles, estão arrependidos porque não admitem, nem perdoam terem sido traídos naquilo que foram os compromissos e as promessas que lhes foram feitas", insistiu.

O líder socialista alertou que nas eleições de 04 de outubro "o que está em causa não é só saber se é este ou aquele o primeiro-ministro".

"É muito mais importante do que isso: o que está em causa é saber em que sociedade queremos viver, se queremos viver numa sociedade onde investimos no conhecimento e na inovação ou numa sociedade onde queremos cortar salários e precarizar as relações de trabalho", salientou.

Segundo o candidato do PS, "o país, neste momento, enfrenta a necessidade de, de uma vez por todas, por termo à ‘troika’ e a esta política, tirando a direita do governo, derrotando a coligação de direita e dando vitória ao Partido Socialista".

"A ‘troika’ só acaba quando este governo acabar e quando a direita for posta na rua do governo da República", acrescentou.


António Costa sblinhou ainda, numa alusão às autonomias politicas da Madeira e dos Açores, que "as regiões não são um problema, são uma riqueza nacional para o futuro de todo o país".

O presidente do PS-Madeira e cabeça de lista pelo círculo da Madeira disse, por seu lado, não acreditar que os madeirenses votem na coligação PSD/CDS Para Frente Portugal, que classificou de "hostil" à região ao criar o Plano de Ajustamento Económico Financeiro e as "maldades" que dificultaram as suas vidas.

"Os madeirenses têm que ser racionais. Mudar de rumo e de política exige o voto no PS, o único voto que garante a mudança em Portugal e na Madeira", concluiu.