O secretário-geral socialista afirmou, nesta sexta-feira, que o seu trabalho em funções executivas fala por si em matéria de refugiados, recusando-se a responder às críticas após ter sugerido que os refugiados poderão ser úteis na defesa das florestas.

António Costa falava aos jornalistas à chegada à Gare do Oriente, em Lisboa, antes de iniciar uma viagem de comboio para o Porto, depois de confrontado com críticas feitas por elementos do CDS e do Bloco de Esquerda por ter sugerido um conjunto de funções que os refugiados do Médio Oriente poderão desempenhar em Portugal, sobretudo nas zonas em risco de desertificação.

"Não tenho nenhuma resposta a dar. Respondo pela minha vida e por tudo aquilo que tenho feito em matéria de política de refugiados", disse, numa alusão às suas anteriores funções de presidente da Câmara de Lisboa, ministro de Estado e da Administração Interna no primeiro Governo de José Sócrates e de ministro da Justiça no segundo Governo liderado por António Guterres.

Na quinta-feira, durante uma sessão de 'live streaming' pelo Facebook, António Costa afirmou que os migrantes e os refugiados seriam bem-vindos a Portugal  para trabalhar nas florestas e combater a desertificação e a baixa demografia.

"Felizmente, este verão tem sido piedoso para a nossa floresta, mas quando vejo o estado em que está a nossa floresta e em que vejo os proprietários e os autarcas da zona de pinhal a queixarem-se da falta de mão de obra para a manutenção do pinhal, vejo aqui tanta população que está habituada a trabalho agrícola e que tem capacidade para trabalhar nesta floresta. Temos aqui uma grande oportunidade de recuperar um património que temos abandonado, de criar uma nova oportunidade de vida para estas pessoas e uma melhor forma de desenvolver o nosso território", considerou.

O secretário-geral do PS defendeu ainda que Portugal tem "o dever e a capacidade" de assumir uma posição mais "pró-ativa" em termos de acolhimento.

" Não é um problema. É antes uma oportunidade", disse António Costa, já depois de se referir genericamente a questões nacionais como a desertificação de vastas zonas do interior do país e à evolução demográfica, durante uma sessão de 'live streaming' pelo facebook, na quinta-feira.