António Costa considera que o discurso de Cavaco Silva nas comemorações do 10 de junho, esta quarta-feira, foi "mais um eco do discurso do Governo” do que “das vozes dos portugueses”. O secretário-geral do PS afirmou ainda que o Presidente da República pode ficar tranquilo porque, à medida que se vão aproximando as eleições, o “desânimo e o pessimismo” vão dando lugar à “confiança”.

“Creio que o Presidente da República pode estar tranquilo porque conforme nos vamos aproximando das eleições, o desânimo e o pessimismo vão dando lugar à confiança da compreensão que as pessoas tem de que há uma alternativa que nos vai permitir virar a pagina da austeridade e relançar a economia.”


O líder socialista foi mais longe e afirmou que o próprio Cavaco Silva contribuiu para o desânimo que criticou no seu discurso. 

“O Presidente da República tem contribuído para o desânimo e para a descrença. “


Depois de o chefe de Estado ter definido quatro objetivos fundamentais para o próximo Governo, o líder socialista admitiu estar consciente de que vai “herdar uma situação muito difícil”, mas assegurou que saberá “certamente resolver a situação”, tal como fez na Câmara de Lisboa.

“Estou certo de que vou herdar uma situação muito difícil, uma dívida muito pesada, tal como aconteceu em Lisboa. Mas saberei certamente resolver esta situação, como fiz em Lisboa, sem sacrificar os direitos dos portugueses.“


António Costa congratulou-se pela homenagem póstuma ao ex-ministro socialista Mariano Gago e pelo reconhecimento do trabalho de Teixeira dos Santos, ministro das Finanças do Governo de José Sócrates. Ambos foram condecorados esta quarta-feira com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo.
 

“Quero congratular-me pelo facto de ter sido prestada uma homenagem póstuma que já tardava a Mariano Gago e um reconhecimento ao notável esforço que Teixeira dos Santos fez.”


BE acusa Cavaco de “lançar a campanha PSD e CDS”


Já a porta-voz do Bloco de Esquerda Catarina Martins acusou Cavaco Silva de “lançar a campanha PSD e CDS” no seu discurso e de não se dirigir aos mais sacrificados com a austeridade.

“Com meio milhão de postos de trabalho destruídos, com salários cortados, pensões cortadas, com pobreza crescente, pobreza infantil crescente, Cavaco Silva não tem uma única palavra para as pessoas que mais sacrificadas foram nestes quatro anos, e pelo contrário, hoje aparece não como um Presidente da República, mas sim Aníbal Cavaco Silva a fazer um discurso para lançar a campanha eleitoral de PSD e CDS.”


A porta-voz bloquista, que falou à margem de uma iniciativa na Feira do Livro de Lisboa, aproveitou também para lembrar que “há quatro anos o Presidente da República fez um discurso a dizer que Portugal não aguentava mais sacrifícios, que os portugueses não podiam ser mais sacrificados”.
 

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