O primeiro-ministro disse esta quinta-feira ser natural que o Governo não possa contar com o PSD, dada a decisão "bizarra" do partido de "votar contra tudo", e comentou que "uma propostazinha" sobre o Programa Nacional de Reformas já seria algo.

À chegada ao Conselho Europeu, em Bruxelas, António Costa, reagindo às declarações de Pedro Passos Coelho, que horas antes, também em Bruxelas, afirmou que o PSD está "muito disponível" para discutir o programa de reformas desde que o Governo não persista em desfazê-las, comentou: " já não é mau que desta vez o PSD não se limite a dizer que votará contra sem apresentar propostas de alteração, como fez neste debate do orçamento".

Se apresentar uma propostazinha, já é algo?", comentou.

António Costa voltou a criticar o que classificou como uma "situação bizarra de haver um partido, que é o PSD, que entende que agora não deve participar nos debates a não ser para votar contra tudo aquilo que é apresentado" e aconselhou os sociais-democratas a passar a ter uma "postura construtiva".

O PSD acha que nada pode acontecer sem o PSD, mas há uma coisa que eles terão de se convencer um dia: continuaremos a ter dia e continuaremos a ter noite mesmo que o PSD não contribua para isso, e portanto é talvez a altura de o PSD ter uma postura construtiva e deixar-se desse azedume com que está na vida politica, que nada contribui para resolver os problemas presentes e futuros dos portugueses", concluiu.

Pouco antes, Passos Coelho, que participou numa reunião do Partido Popular Europeu (PPE), assegurou que "não há nem nenhum rancor nem nenhum azedume" no PSD - refutando assim as declarações da véspera do primeiro-ministro -, e asseverou que o seu partido até "estaria disponível" para discutir com o Governo socialista "uma segunda geração de reformas", mas para tal seria necessário que o atual executivo seguisse outra estratégia.

Nós estamos muito disponíveis para discutir as reformas, mas parece-me muito importante que o Governo ande para trás naquilo que tem vindo a desfazer de reformas anteriores. Desde a área laboral, à educação, à economia, é muito importante que o Governo mude de agulha e mude de estratégia", disse.