António Costa considera que Portugal devia ser "exemplar" na resposta à crise de refugiados que afeta a Europa. O secretário-geral socialista afirmou, esta segunda-feira na TVI24, que o país deve ser mais ambicioso nesta matéria e insistiu na ideia de olhar para os refugiados como uma oportunidade para resolver o "problema demográfico".

"Acho que um país como Portugal devia ser exemplar, em nome da sua história, mas também por termos um problema demográfico sério que não se resolve só com políticas de natalidade ativas. Acho que temos a obrigação, o interesse e a oportunidade de o fazer [acolher mais refugiados]."


António Costa esteve frente-a-frente com a porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, esta segunda-feira na TVI24.

A dirigente bloquista criticou a forma como o Executivo PSD/CDS-PP tem lidado com o problema, sublinhando que é preciso criar "mecanismos concretos".

"O Governo até já mudou de opinião, mas não se muda nada na prática. Não se vê nenhum plano concreto. É preciso ter os mecanismos concretos."


Os dois dirigentes partilharam a ideia de um "falhanço" da União Europeia em relação a esta crise. Para o líder do PS há um falhanço em termos de "política externa" e em relação à "capacidade de acolhimento" destas pessoas.

"A Europa mostra-se com muita dificuldade em gerir este fluxo mas é necessário ter a noção de quantos refugiados os países vizinhos da Síria estão a receber. Na Jordânia está-se a construir um campo de refugiados para 300.000 pessoas."


Já a bloquista foi mais dura nas críticas à UE, reiterando que os refugiados são tratados de forma "degradante" e que a Europa está, também ela, "degradada". Mais, Catarina Martins sublinhou que o problema até poderia ser resolvido "com facilidade", caso houvesse "vontade política".

"Não é um problema com que a Europa não possa lidar com facilidade. São 350.000 pessoas que representam 0,05% da população europeia. Há falta de vontade política. O orçamento da UE prevê verbas específicas para estes casos. É preciso abrir corredores humanitários e que os países assumam a sua responsabilidade."